A Universidade Estadual de Maringá (UEM) abriu, na sexta-feira (9 de outubro), o Frigorífico Experimental da Estação de Piscicultura de Floriano. A instalação completa a cadeia de produção de peixe mantida pela universidade, adicionando abate e processamento aos projetos acadêmicos.
A unidade dispõe de câmara fria e áreas para abate, processamento e embalagem. Segundo a UEM, os equipamentos foram adquiridos em dezembro de 2025 com investimento de R$ 700 mil, financiado pela Agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e pela administração da universidade. No total, as melhorias realizadas na estação somam mais de R$ 2,3 milhões em infraestrutura, maquinário e equipamentos.
O frigorífico processa até 1,5 tonelada de peixe por dia. A unidade já possui certificação pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), o que permite a comercialização dos produtos. Inicialmente, o aproveitamento comercial estará ligado aos peixes dos programas de melhoramento genético da instituição.
Atendimento futuro a produtores
Em etapa posterior, a proposta é disponibilizar as instalações a piscicultores e pequenas cooperativas da região que não possuem estabelecimentos regularizados para o abate. De acordo com a UEM, o atendimento estará condicionado à capacidade operacional da unidade e à definição de um modelo de utilização.
O frigorífico atenderá também unidades internas da universidade, como o Restaurante Universitário, o Hospital Universitário Regional de Maringá e o posto de vendas da Fazenda Experimental de Iguatemi.
Ciclo completo de produção
A Estação de Piscicultura de Floriano realiza melhoramento genético, seleção de matrizes e produção de alevinos. Parte dos filhotes é encaminhada para engorda em 100 tanques-rede no Rio do Corvo, em Diamante do Norte. Após esse período, os peixes retornam à estação para processamento em filés, postas e outros produtos.
Segundo a UEM, a instalação aproxima o projeto de um modelo totalmente verticalizado, embora ainda seja necessária a implantação de uma fábrica de ração para completar a cadeia.
Pesquisa e formação acadêmica
A estação funciona desde 1996 como centro público de melhoramento genético de tilápias-do-nilo, o primeiro da América Latina dedicado a este trabalho. O principal programa, chamado Tilápia Tilamax, busca aprimorar características como velocidade de crescimento e rendimento de filé. Em 2026, alcançou sua 17ª geração de seleção.
Para os estudantes, o frigorífico oferece oportunidade de acompanhar procedimentos de qualidade, rotina de processamento e desenvolver pesquisas. A universidade mantém parcerias de pesquisa com o Campus Regional do Noroeste em Diamante do Norte desde 2008, onde avalia o desempenho dos animais em tanques-rede no Rio do Corvo.
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