O Programa Grávidas Ativas convida gestantes e mães de Campo Largo para uma roda de conversa sobre saúde mental no dia 30 de setembro, na Unidade de Saúde (US) Ari Fior. O encontro, gratuito, será conduzido pela psicóloga Heloisa Baggio e abordará os aspectos emocionais que envolvem a gestação e o pós-parto.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2024, cerca de 20% das mulheres desenvolvem algum tipo de transtorno mental durante a gravidez ou após o parto. Porém, a psicóloga Mariana Ritti, servidora da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Largo, observa que esse número pode estar distorcido: muitos sintomas considerados “patológicos” são, na verdade, respostas naturais esperadas nesse período da vida.
Mariana trabalha há 14 anos como psicóloga e atende gestantes desde o início da carreira. “É um período que exige uma atenção maior. São muitos desafios, muitas mudanças, e é normal as gestantes precisarem de apoio nessa fase da vida”, afirma.
O que é normal na gravidez
Os sintomas emocionais mais comuns durante a gestação incluem aumento de irritabilidade, ansiedade, estresse, insônia e distúrbios de alimentação. Segundo Mariana, essas alterações estão diretamente ligadas às mudanças hormonais: “Os hormônios produzidos pela mãe e pela placenta alteram a produção de neurotransmissores e isso muda a forma como a mãe se sente e se comporta”.
A gravidez também provoca alterações neurológicas: áreas do cérebro que não eram tão ativas começam a ficar mais estimuladas. Além disso, o desenvolvimento do bebê demanda nutrientes que são retirados dos sistemas da mãe, afetando cabelos, dentes, pele e até a produção de neurotransmissores. Esse processo, essencial para a formação do sistema nervoso da criança, intensifica os sintomas emocionais e pode aumentar o risco de depressão pós-parto.
Baby blues e depressão pós-parto
Após o parto, ocorre uma interrupção abrupta da produção hormonal intensa dos nove meses anteriores. Nos primeiros 30 a 40 dias do puerpério, muitas mulheres enfrentam sentimentos de tristeza, cansaço e desânimo — situação conhecida como “baby blues”. “O corpo está tentando se ajustar, se regular, e todas as mulheres sentem bastante isso”, descreve Mariana.
O baby blues não é depressão pós-parto, mas pode evoluir para ela se os sintomas persistirem por mais de dois meses. Nesse caso, é necessário acompanhamento mais próximo com profissionais de saúde, além de suplementação e, às vezes, medicação. A situação fica ainda mais grave com a psicose puerperal, quando a depressão evolui para episódios de dissociação da realidade e reações desproporcionais às situações vividas.
A depressão durante a gravidez também requer atenção: estudos mostram que pode influir em partos prematuros ou perda de peso do bebê, além de afetar o desenvolvimento socioemocional e cognitivo da criança. Mariana ressalta que a saúde mental materna impacta não só uma gestação e parto tranquilos, mas a saúde da família a longo prazo.
Para enfrentar o baby blues, melhorar a alimentação, hidratação e sono ajuda. A amamentação também é importante: a prolactina estimula a produção de neurotransmissores associados ao bem-estar, como dopamina e serotonina, e fortalece o vínculo entre mãe e bebê.
A importância da rede de apoio
Pesquisas de 2025 indicam que transtornos mentais durante e após a gravidez são mais comuns em mulheres sem amparo, como aquelas que enfrentam distância da família ou amigos próximos. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença nesse período.
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