Pesquisadores do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP criaram um protocolo para orientar médicos na hora de comunicar resultados suspeitos de câncer de mama. O método, chamado Radnews, foi apresentado na revista científica RadioGraphics, da Radiological Society of North America.
O objetivo é ajudar radiologistas a conversar com clareza sobre achados que podem indicar câncer, mas nem sempre confirmam a doença. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028.
A radiologista Natália Ceccaroni Orthmann, uma das desenvolvedoras do protocolo, explica que passar essas informações é delicado: “Quando a gente chega nesse momento dos suspeitos, é a hora que a gente tem um pouquinho mais de dificuldade.” Ela ressalta que nem sempre o que se encontra na mama é câncer — pode ser uma lesão benigna ou uma atipia que exige investigação adicional.
Como o protocolo funciona
O Radnews foi pensado para deixar clara a possibilidade de um achado suspeito, usando linguagem que um leigo consiga entender. Natália explica que outros protocolos de comunicação existem na medicina, como o Spikes, voltado a notícias difíceis em situações de câncer. Porém o Spikes considera a relação construída entre médico e paciente ao longo do tempo, o que nem sempre ocorre com radiologistas.
“O radiologista participa de apenas uma das etapas da jornada da paciente, enquanto os próximos passos são conduzidos pelo médico solicitante”, diz Natália. Por isso o novo protocolo tenta deixar tudo o mais claro possível para quem não trabalha na área de saúde.
O material foi desenvolvido para contemplar diferentes realidades e poder ser utilizado também por médicos de outros países, já que as estruturas de saúde variam entre as nações.
Próximos passos após resultado suspeito
A mamografia é um dos principais exames para investigar câncer de mama e pode ser complementada por ultrassonografia ou ressonância magnética conforme a indicação médica. Um resultado suspeito não significa câncer, mas pode levar à necessidade de biópsia ou punção — procedimentos seguros e minimamente invasivos para coletar células ou tecidos e confirmar ou descartar a suspeita.
Natália ressalta que a comunicação, independentemente do resultado, deve ser conduzida com cuidado e empatia. Ela também destaca a importância de guardar o histórico dos exames: eles funcionam como documentos das pacientes e ajudam médicos a entender padrões de envelhecimento e acompanhar alterações ao longo do tempo.
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