A Prefeitura de Palmas apresentou nesta segunda-feira, 14 de setembro, os resultados do Censo Participativo dos Povos de Terreiro e Matriz Africana. O levantamento reuniu 245 respostas e mapeou características, experiências de discriminação e principais demandas das comunidades na capital.
A pesquisa foi conduzida pela Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos em parceria com casas de candomblé, a Associação das Casas de Culto de Matriz Afro-Brasileira do Tocantins e o Instituto Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais do Tocantins.
O perfil das comunidades
Entre os respondentes, 26% têm entre 30 e 39 anos, 21,9% entre 40 e 49 anos e 20,7% entre 18 e 24 anos. Na autodeclaração de raça ou cor, 43,3% se identificaram como pardos, 35,1% como brancos e 19,6% como pretos. O censo apontou ainda que 36,1% se identificam como LGBTQIA+ e que 63,7% declararam fazer parte da Umbanda.
Intolerância religiosa em múltiplos espaços
O dado mais preocupante diz respeito à discriminação: 66,2% dos participantes já sofreram intolerância ou racismo religioso, principalmente no trabalho, na rua ou no ambiente familiar. Os casos mais comuns envolvem constrangimentos, piadas e ofensas verbais. No contexto escolar, 43% afirmaram ter sofrido preconceito ou discriminação por causa da religião.
Entre quem vivenciou intolerância, 37,8% não procurou ajuda, e 43,8% não acreditou que uma denúncia teria resultado, indicando baixa confiança nas instituições. O censo identificou como demandas prioritárias o combate à intolerância religiosa, o enfrentamento ao racismo, a segurança para terreiros e a assistência jurídica.
Próximos passos
O titular da secretaria, Joelson Soares, afirmou que os dados servirão como base para orientar a atuação municipal. “Nosso desafio agora é transformar essas informações em acordos transversais e ações continuadas”, disse. A apresentação dos resultados reuniu lideranças religiosas, representantes de terreiros e órgãos públicos, entre eles a Defensoria Pública do Tocantins, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério Público do Tocantins.
Para Roberta Tum, yalorixá do Ilè Asé Funfún Osoguiã, a segurança e o direito de manifestação nos terreiros são pautas essenciais. “Nossas festas são a maior oportunidade para quem não conhece nossa realidade compreender o dia a dia de uma casa de santo”, destacou.
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