Vinte e cinco pessoas que estavam em situação de rua e são atendidas pela Fundação de Ação Social (FAS) encontram na pintura e no desenho um espaço para criar e se expressar. Todas as quartas e sextas-feiras à tarde, a oficina funciona com orientação da artista plástica Mariza Del Claro, em parceria entre a FAS e a Fundação Cultural de Curitiba.
Entre os participantes, seis demonstraram potencial artístico notável. José Roberto Santos, de 66 anos, acolhido na Unidade de Acolhimento Institucional Cajuru, desenha e pinta desde os 18 anos. Aprendeu sozinho observando um livro de desenhos, mas foi na oficina que teve oportunidade de pintar em tela. “Eu gosto de vir para a oficina. Fico emocionado”, conta ele, que apresenta dificuldade de fala e encontra na arte uma forma de comunicação com liberdade.
Dionísio José Skalski, de 65 anos, técnico eletrônico curitibano, começou a pintar a partir da oficina do Centro Pop Doutor Faivre no ano passado. “A pintura me traz tranquilidade, consigo expressar meus sentimentos e isso ajuda a ter mais objetivos para a vida”, afirma. Ele já mostrou seu trabalho em exposição realizada no Teatro Guaíra em maio, que reuniu obras de pessoas em situação de rua.
Daniel Silva, de 63 anos, participou da oficina por quase dois meses após chegar a Curitiba vindo do Rio de Janeiro. Acolhido há três meses na UAI Cajuru, ele nunca havia pintado em tela antes. “Isso é novo para mim. Estou começando. Vejo que uma nova porta se abriu para mim”, disse durante uma aula. Pouco tempo depois, foi contratado por uma rede de supermercados de Curitiba. Seus trabalhos chamaram atenção pela semelhança com características das obras do artista espanhol Joan Miró, e passou a ser chamado de “Miró” nos envolvidos na oficina.
Como funciona a oficina
A atividade reúne pessoas atendidas nos Centros Pop e unidades de acolhimento da FAS. Na oficina, são trabalhadas cores, traços e diferentes técnicas usando tinta acrílica, guache, desenho e colagem. Quem demonstra maior interesse ou habilidade recebe telas para desenvolver os trabalhos.
“A arte entra como uma ferramenta de expressão, convivência, descoberta de habilidades e fortalecimento de novos projetos de vida”, explica Renan de Oliveira Rodrigues, presidente da FAS. Para Mariza Del Claro, a orientadora, a arte contemporânea permite liberdade criativa. “Eu oriento, mas eles têm liberdade para criar. Quando querem fazer algo específico, pedem orientação”, diz.
Exposição prevista para o fim do ano
A expectativa é que os trabalhos produzidos ao longo das oficinas sejam reunidos em uma exposição no fim do ano. O local ainda será definido. A iniciativa amplia as possibilidades de atendimento oferecidas pela FAS, que reúne serviços de acolhimento, abordagem social, acompanhamento e encaminhamentos para diferentes políticas públicas.
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