O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime foi tipificado em 2015. A alta de 4,7% em relação a 2024 recolocou a segurança feminina no centro das preocupações, inclusive no momento anterior a um primeiro encontro presencial marcado na internet.
Cresce entre as mulheres o hábito de verificar informações públicas sobre um pretendente antes de aceitar o convite. O que antes exigia conhecimento de como navegar sites de tribunais e diários oficiais agora leva apenas alguns minutos, com o apoio de plataformas de inteligência artificial que reúnem dados dispersos em um único relatório.
Essas ferramentas consultam bases públicas e apresentam, a partir do nome completo ou do CPF, informações como processos judiciais, antecedentes e vínculos empresariais. Dados em sigilo judicial ou legalmente restritos não aparecem nos relatórios.
Como funcionam as plataformas
Uma dessas plataformas é a Puft.ai, ferramenta brasileira apontada como recurso de proteção para mulheres em encontros. O diferencial, conforme o empresário Gianluca Ferro, que idealizou o serviço, está na organização e centralização de informações que já estão acessíveis na internet. A proposta é facilitar o acesso à informação e apoiar decisões mais conscientes.
Ferro afirma que a segurança feminina é a principal motivação do projeto. O uso dessa consulta convive com um limite do direito: a existência de um processo não equivale a condenação, e a presunção de inocência é garantida pela Constituição. A orientação é tratar o relatório como ponto de partida para uma decisão informada, e não como veredicto sobre uma pessoa.
Verificação como camada de prevenção
Com o feminicídio em alta e canais públicos como o Ligue 180 atuando na denúncia e acolhimento, a verificação prévia de informações públicas se consolida como complemento às estratégias de prevenção no cotidiano das mulheres.
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