Enchentes, ondas de calor, secas e tempestades severas já impactam os serviços de saúde. A discussão sobre como o sistema deve se preparar para esses cenários chega a Londrina na próxima semana.
Frederico Fraga, diretor do Departamento de Urologia da Associação Médica de Londrina (AML) e especialista em Medicina do Desastre, fará a palestra de abertura da Jornada de Urgências e Emergências da AML no dia 7 de agosto, às 20 horas. O tema é “Medicina do Desastre e Emergências Climáticas”.
Por que discutir agora
Segundo Fraga, as mudanças climáticas representam um dos principais desafios de saúde pública deste século. Ele aponta que a Medicina do Desastre é uma área consolidada em diversos países, mas pouco explorada na formação médica brasileira. “Precisamos discutir por que os profissionais e os serviços de saúde devem se preparar para essa nova realidade”, afirma.
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 exemplificam o cenário. Apesar de mostrar a capacidade de mobilização dos profissionais de saúde, o desastre revelou vulnerabilidades. Muitos serviços ainda não possuem planos específicos para situações de calamidade, e a integração entre saúde, defesa civil e gestão pública precisa avançar.
Impactos na saúde
Os efeitos vão além dos desastres imediatos. Eventos climáticos extremos aumentam casos de desidratação, complicações cardiovasculares e respiratórias. Também favorecem a expansão de doenças transmitidas por vetores como dengue e arboviroses.
Surtos de doenças transmitidas pela água e impactos na saúde mental também surgem após esses eventos, especialmente entre idosos, crianças e pacientes com doenças crônicas. Hospitais e serviços de urgência precisam manter capacidade operacional mesmo quando a comunidade ao redor enfrenta um desastre.
O que vem depois
Após a palestra de Fraga, haverá uma mesa redonda com especialistas que atuam na linha de frente dessa discussão. A Jornada de Urgências e Emergências da AML segue até o dia 8 de agosto.
Fonte: Folha de Londrina


