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Foz do Iguaçu revisa Plano Diretor e abre debate sobre cidade dos próximos 10 anos

Foz do Iguaçu está revisando seu Plano Diretor Municipal, o documento que orienta como a cidade vai crescer e se desenvolver. O plano atual, aprovado em 18 de julho de 2017, completa dez anos em 2027 e precisa ser atualizado. A revisão abre espaço para a população debater e sugerir melhorias em áreas como transporte, moradia, lazer, meio ambiente e turismo.

A atualização é uma oportunidade para resolver gargalos que a cidade enfrenta. Segundo Alexandre Balthazar, professor de Arquitetura e Urbanismo da UniAmérica Descomplica e presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, um dos avanços necessários é colocar o pedestre como prioridade nas ruas. Para isso, seriam preciso ciclovias bem conectadas, investimento em transportes como VLT e criação de alamedas arborizadas para patinetes.

Outro ponto que Balthazar destaca é a escassez de parques urbanos em Foz. Cidades vizinhas como Santa Terezinha de Itaipu e Ciudad del Este, no Paraguai, contam com espaços amplos de lazer frequentados pela população. Parcerias público-privadas poderiam viabilizar a criação de parques semelhantes em Foz.

O limite do turismo

Um dos principais desafios para o novo Plano Diretor é a chamada capacidade de carga turística, que representa o número máximo de visitantes que um lugar pode receber sem prejudicar o meio ambiente, a cultura ou a comunidade local. Segundo a Prefeitura, com base em dados de 2025, Foz recebe cerca de cinco milhões de turistas por ano. Só no Parque Nacional do Iguaçu, principal atração da cidade, passaram 2.058.539 pessoas no ano passado.

Os sinais de que a cidade está próxima do limite começam a aparecer: filas na entrada do Parque Nacional do Iguaçu, congestionamento na aduana da Argentina e na via do aeroporto, além da falta de estacionamentos nas áreas dos principais pontos turísticos da Rodovia das Cataratas.

Fabiana Amaral, professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), chama atenção para o impacto dos grandes projetos turísticos na vida de quem já mora em Foz. Um investimento pode valorizar economicamente uma região, mas também dificultar a circulação dos vizinhos ou forçar comunidades a sair. O Plano Diretor deve tornar esses projetos visíveis para debate público e garantir que as pessoas possam continuar vivendo dignamente em seus territórios.

A duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469) ilustra esse problema. Planejada sem passarelas e com prioridade para veículos, a obra dificultou a vida dos moradores da região, que precisam pular muretas para atravessar de um lado a outro. O projeto também prejudicou turistas que alugam moradias temporárias na área.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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