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Cupins constroem sistema de ventilação natural que mantém ninho a 23°C; arquitetos estudam tecnologia

Um grupo de 16 estudantes brasileiros passou semanas na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, observando como cupins constroem suas casas. O que encontraram surpreendeu: dentro dos montes de terra, a temperatura se mantém estável em 23 °C, enquanto do lado de fora o termômetro marca mais de 30 °C durante o dia e cai para 11 °C à noite. Tudo funciona sem consumir uma gota de eletricidade.

A descoberta interessa a arquitetos e engenheiros porque mostra como a natureza resolve um problema que os humanos enfrentam todos os dias: manter um ambiente confortável sem gastar energia. Se casas e prédios copiarem esse sistema, cidades inteiras poderiam usar menos ar-condicionado e economizar na conta de luz.

Como os cupins fazem isso

No interior do cupinzeiro existe um sistema complexo de tubulações e canais. Esse desenho permite que o ar circule constantemente, distribuindo calor e mantendo tudo equilibrado. A estrutura funciona como um ar-condicionado que não precisa de fios ou equipamentos eletrônicos. Sofia Coradini Schirmer, bióloga e pesquisadora do projeto, explica que esses princípios de ventilação natural podem orientar novos edifícios focados em economia de energia.

Para medir com precisão essa regulação térmica, a equipe projetou um dispositivo eletrônico de baixo custo chamado Tamanduíno. Os sensores foram espalhados pelos ninhos e comprovaram o isolamento térmico que os insetos conseguem atingir. Além de servir como moradia dos cupins, o cupinzeiro também funciona como abrigo para cobras, tatus e outras espécies que buscam refúgio durante o calor intenso.

Pesquisa vai além da arquitetura

O trabalho de campo reuniu conhecimentos de biologia, física e ciência da computação. Os pesquisadores, coordenados pelo Programa de Formação em Ecologia Quantitativa, usaram ferramentas criadas em um hackathon prévio em Brasília para monitorar o comportamento desses pequenos construtores. Paralelamente ao estudo da ventilação, a equipe analisou o ciclo de vida local e as ameaças ao bioma.

Um preocupação surgiu durante a pesquisa: a expansão do capim-gordura, uma gramínea exótica vinda da África. Essa espécie invasora avança sobre a flora nativa da Chapada dos Veadeiros, aumenta riscos de incêndios e ameaça a biodiversidade do Parque Nacional. Para identificar os principais predadores na região, os cientistas também usaram modelos de lagartas feitos com massa biodegradável espalhados pela vegetação.

O Instituto Serrapilheira, que promove a iniciativa, espera que os achados sobre a arquitetura dos cupins sirvam como inspiração para projetos urbanos mais sustentáveis. A observação da natureza pode gerar soluções práticas que reduzam o consumo de energia nos centros urbanos.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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