Os frigoríficos brasileiros têm oportunidade de abastecer entre 90 mil e 120 mil toneladas das 300 mil toneladas que os Estados Unidos abriram para importação sem tarifa adicional nos próximos 90 dias. A medida, autorizada pelo presidente norte-americano Donald Trump, pode entregar ao Brasil até 40% desse volume adicional.
O objetivo do governo dos EUA é aumentar a oferta de carne no mercado interno e reduzir preços, em especial da carne moída usada em hambúrgueres. O país enfrenta redução do rebanho bovino, o que diminuiu a oferta e elevou custos. Enquanto a recuperação do rebanho leva tempo, as importações servem como solução de curto prazo.
De janeiro a agosto deste ano, os Estados Unidos compraram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, gerando receita de US$ 1,74 bilhão. O volume foi 28,7% maior que no mesmo período de 2025.
Por que o Brasil está em vantagem
O tamanho da indústria brasileira e a quantidade de frigoríficos credenciados a exportar para os EUA colocam o país em posição favorável na disputa. Os concorrentes mais diretos seriam Paraguai e países da América Central, mas Brasil mantém a dianteira pelo volume de produção e estrutura de abate.
Atualmente, o Brasil já participa de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas para exportar aos EUA sem tarifa extra. Esse volume foi totalmente consumido em apenas 15 dias. Depois que a cota é preenchida, a carne brasileira continua entrando, mas passa a pagar tarifa adicional de 26,4%.
O desafio do preço e do tipo de produto
A demanda dos EUA está concentrada em trimmings, pedaços retirados durante o processamento da carcaça usados na produção de carne moída. Esse é um produto de menor valor agregado que representa apenas uma parte do animal.
Os frigoríficos brasileiros precisam avaliar se vale a pena destinar esse produto aos EUA considerando o preço oferecido pelos americanos, custos de exportação e o retorno que obteriam pelo mesmo animal em outros mercados. A preocupação é que preços muito altos tornem a operação menos atrativa para os compradores americanos e comprometa o objetivo da medida de ampliar a oferta com preços menores.
Como funciona a exportação de carne bovina
A carne bovina é exportada em diferentes formas, desde cortes nobres até subprodutos do processamento. Os trimmings são aproveitados principalmente em mercados que usam carne moída como matéria-prima para produtos processados. A tarifa é um custo adicional cobrado quando a exportação ultrapassa as cotas autorizadas, tornando o produto mais caro no mercado de destino.
A nova cota aberta por Trump é temporária, válida por 90 dias, e não significa que as 300 mil toneladas serão divididas automaticamente entre os países. Cada exportador precisará conquistar seu espaço de mercado, e a capacidade de oferecer o produto ao preço desejado pelos compradores americanos será decisiva.
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