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Artista traz show de música e bordados ao Festival de Dança de Londrina

Ana Maria Carvalho, mestra da cultura popular do quilombo Cururupu no Maranhão, apresenta o show Bordados de Música nesta quarta-feira (28) a partir das 18h30 na AML Cultural, na Rua Maestro Egídio Camargo do Amaral, 130. A apresentação é gratuita, com entrada por ordem de chegada e lugares limitados, abrindo uma hora antes do início.

O espetáculo faz parte do Festival de Dança de Londrina 2026 e reúne músicas autorais da artista em diálogo com clássicos da MPB maranhense pouco conhecidos no Sul do país, como obras de Chico Maranhão, Ubiratan Marques, Humberto de Maracanã e Papete. O repertório traz influências rítmicas e visuais de tradições populares maranhenses como Bumba Meu Boi, Tambor de Crioula, Cacuriá, Ciranda e Ladainhas do Espírito Santo.

A apresentação foi transferida da Concha Acústica para a AML Cultural em razão da instabilidade do tempo. A classificação indicativa é livre.

O bordado como metáfora da vida

Para Ana Maria, o bordado ultrapassa o ato manual. Na concepção do show, a artista conduz o público por uma tessitura feita por suas mãos, sua voz e histórias de sua infância e ancestralidade. Ela explica: “Eu sempre bordei, desde a minha infância. Enquanto eu cantava, eu bordava; enquanto eu bordava, eu cantava. Continuo fazendo isso até hoje. Plantar uma planta é bordar pra mim. Colher é bordar; abraçar é um bordado. Todo esse movimento de poesia que acontece na minha vida é um bordado”.

A inspiração do título veio enquanto Ana Maria bordava uma saia com histórias para um trabalho anterior. Ela percebeu que por onde passava com seu show, ia bordando esses lugares, criando um trançado e uma poesia. “Quando eu finalizei esse bordado, na saia, com todas as músicas que eu estava cantando, me veio o nome do show: Bordados de Música”, conta.

Brincadeira como necessidade

Nascida no quilombo Cururupu, Ana Maria define o lugar como “muito lindo, muito poético”. Desde a infância faz arte, mas só se reconheceu como artista quando começou a ser remunerada pelas brincadeiras, músicas, cantos e danças que herda de bisavós, avós e pais.

Para ela, ser artista significa dividir com o mundo conhecimento e sabedoria ancestrais. “Brincar pra mim é quase uma necessidade fisiológica; é como beber água, como se alimentar. Porque ninguém vive sem brincar. As pessoas se condicionam e chegam num momento em que falam ‘Ah, eu não brinco mais, não sou criança para brincar’. Mas brincadeira faz parte da vida. O brincar cura, te alimenta, te leva para um lugar muito mais além. Resumindo, o brincar salva vidas”, afirma.

Informação publicada pela Folha de Londrina em 27 de outubro de 2026.

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