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Apucarana mapeia população em situação de rua, dependência química e ruptura familiar são as principais causas

A Prefeitura de Apucarana concluiu o primeiro Censo Municipal da População em Situação de Rua (Censo POP 2026), levantamento que traçou um diagnóstico detalhado desse público e passa a orientar ações municipais. Apucarana foi o terceiro município do Paraná a realizar esse tipo de iniciativa.

O levantamento ouviu 123 pessoas entre os dias 23 e 24 de março. Os dados mostram um perfil marcado principalmente pela dependência química e pela ruptura de vínculos familiares. O uso de drogas ou álcool, isoladamente ou associado a outros fatores, aparece em mais de 40% dos casos. Conflitos familiares, luto, desemprego, abandono, problemas de saúde e passagem pelo sistema prisional também figuram entre os principais fatores identificados.

Cerca de 95% das pessoas entrevistadas são do sexo masculino. Aproximadamente metade dorme diretamente nas ruas, enquanto outra parcela utiliza abrigos ou alterna entre o acolhimento institucional e a permanência nas vias públicas. Pessoas pardas e negras concentram a maior parcela do público, indicando a necessidade de ações sensíveis às desigualdades sociais e raciais. Mais de um terço das pessoas apresenta algum tipo de deficiência, seja física ou mental.

Novas respostas do município

Com base nos dados coletados, a Secretaria Municipal de Assistência Social estruturou novas ações. Entre os avanços estão o fortalecimento do acompanhamento das pessoas atendidas e da elaboração do Plano de Acompanhamento Familiar (PAF), além do aumento da concessão de passagens para deslocamentos intermunicipais.

A cidade expandiu as vagas e a estrutura do Acolhimento de Inverno e implantou um projeto-piloto para acolhimento emergencial temporário, de até três dias, destinado a pessoas em trânsito pelo município. A iniciativa conta com apoio e encaminhamento integrado junto à Guarda Civil Municipal aos finais de semana, ampliando a capacidade de resposta da rede diante de situações que exigem atendimento imediato.

O desafio da abordagem integrada

A secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Carrero, ressalta que a situação de rua não tem uma causa única e exige abordagem personalizada. “A dependência química aparece com grande peso, mas também encontramos problemas de relacionamento familiar, luto, desemprego, abandono e questões de saúde como fatores que influenciaram na decisão de morar nas ruas. Isso exige acompanhamento individualizado e atuação integrada das políticas públicas”, explicou.

O diretor de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Alexandre Machado da Silva, aponta que a realidade demanda atuação conjunta entre assistência social, saúde, reabilitação e acesso a benefícios socioassistenciais.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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