O Banco Central informou que o sistema financeiro brasileiro permanece estável, apesar do crescimento preocupante da inadimplência e do endividamento das famílias. Segundo relatório divulgado no primeiro semestre de 2026, a autoridade monetária não vê risco relevante para a solidez do setor.
Os indicadores mostram que as operações com atraso ou sinais de dificuldade de pagamento atingiram o maior patamar desde 2012 na maioria das modalidades de crédito. A inadimplência foi o principal responsável por esse crescimento. O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas alcançou, por sua vez, o maior nível dos últimos 21 anos.
Por que o BC continua confiante
Apesar desse cenário, o Banco Central avalia que os bancos mantêm capacidade de resistir a cenários econômicos adversos. As instituições financeiras possuem níveis confortáveis de capitalização e liquidez, segundo o órgão. Os testes de resistência de capital e liquidez indicam que o sistema pode enfrentar pressões maiores.
Uma pesquisa feita pelo BC com instituições financeiras mostrou que 73% delas estão muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema. As provisões constituídas pelos bancos para cobrir perdas esperadas continuam compatíveis com os riscos, informou a autoridade.
Pressão esperada para o segundo semestre
O Banco Central prevê que a pressão sobre a capacidade de pagamento dos consumidores deve continuar ao longo do segundo semestre de 2026. O crédito para famílias e empresas desacelerou, em linha com os juros elevados e a atividade econômica mais moderada. As instituições financeiras também vêm adotando maior cautela na concessão de empréstimos.
As principais preocupações apontadas pelas instituições foram o risco fiscal e a possibilidade de aumento da inadimplência em um ambiente de juros elevados por um período prolongado. Na avaliação do BC, o crescimento do endividamento exige cautela adicional. O órgão informou que estuda medidas voltadas aos segmentos de maior risco para reduzir situações de superendividamento e fortalecer a sustentabilidade do crédito no país.
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