HomeParanáCasos de AVC em jovens crescem no Paraná e preocupam neurologistas

Casos de AVC em jovens crescem no Paraná e preocupam neurologistas

O acidente vascular cerebral antes visto como doença de idosos agora preocupa especialistas também em jovens e adultos no auge da carreira. A culpada: uma lesão na parede das artérias do pescoço que leva sangue ao cérebro, capaz de formar coágulos e bloquear a circulação.

Essa condição, chamada dissecção arterial cervical, responde por até 25% dos casos de AVC em pessoas com menos de 50 anos, tornando-se uma das principais causas nessa faixa etária. Na população geral, a incidência anual é de aproximadamente 2,6 a 3 casos para cada 100 mil habitantes. “O aumento da incidência do AVC em pessoas com menos de 50 anos é algo que vem chamando muita atenção e reforça a importância de conhecer os fatores de risco e os sinais da doença”, explica Vanessa Rizelio, coordenadora do Time de AVC do Hospital INC.

Atividades corriqueiras podem desencadear a lesão

Os especialistas dividem as causas em três grupos. O primeiro inclui traumas graves, como acidentes automobilísticos ou quedas de alta energia. O segundo, mais preocupante por ser comum, reúne movimentos abruptos ou pressões contínuas no pescoço: manipulação cervical inadequada (como quiropraxia sem indicação médica), práticas de esportes de contato como lutas e futebol, levantamento de pesos muito elevados acima da cabeça em atividades como crossfit, andar de montanha-russa, tosses ou espirros violentos, e até a posição do pescoço estendido durante atendimento em salão de beleza.

O terceiro grupo reúne fatores genéticos e condições médicas: pessoas com fragilidade natural nas paredes dos vasos sanguíneos por doenças do tecido conjuntivo, como Síndrome de Ehlers-Danlos ou Marfan, ou aquelas com hipertensão crônica.

Sintomas evoluem lentamente e exigem atenção

Diferente do AVC clássico que ocorre de forma súbita, a dissecção arterial cervical apresenta sintomas que podem evoluir ao longo de horas ou dias. Os principais sinais são dor de cabeça ou no pescoço incomum—especialmente uma dor súbita e persistente em apenas um lado da cabeça, nuca ou pescoço que não cede a analgésicos—e síndrome de Horner, caracterizada pela queda da pálpebra e diminuição da pupila em apenas um dos olhos.

Zumbido no ouvido como um som pulsante que acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos também é sinal de alerta. Além disso, fique atento aos sintomas clássicos de AVC: perda de força ou formigamento em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar ou compreender a fala, perda de visão em um olho, tontura e perda de equilíbrio.

Cada minuto conta no atendimento

Diante de qualquer suspeita, a orientação é não esperar a dor passar e não tomar medicamentos por conta própria. “Tempo é cérebro”—cada minuto sem circulação sanguínea adequada destrói milhões de neurônios. O recomendado é procurar atendimento médico especializado imediato ou ligar para o SAMU se desconhecer centros de tratamento. É fundamental anotar o horário exato do primeiro sintoma e evitar massagear ou movimentar bruscamente o pescoço.

O diagnóstico precoce por exames de imagem como angiotomografia ou angioressonância, seguido do tratamento rápido com anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, reduz drasticamente o risco de um AVC definitivo.

Roda de conversa em Curitiba discute prevenção

O Hospital INC promove uma roda de conversa sobre acidente vascular cerebral, prevenção e importância do atendimento rápido especializado nesta quinta-feira, 29 de outubro, às 18h30. O evento ocorre na filial INC Imagem, no Centro Médico do ParkShoppingBarigui, piso L3 (R. Prof. Pedro Viriato Parigot Souza, 600). A inscrição é gratuita e feita pelo link eventosinc.com.br. O evento é aberto ao público.

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