HomeToledoUnioeste desenvolve café fermentado e hidromel probiótico para produtores do Paraná

Unioeste desenvolve café fermentado e hidromel probiótico para produtores do Paraná

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, está levando ao mercado duas inovações desenvolvidas em seus laboratórios: um método patenteado para fermentar cafés especiais e um processo inédito de fabricação de hidromel probiótico. As tecnologias estão sendo apresentadas a produtores e cooperativas do estado como parte de uma estratégia de transferência de conhecimento científico para o setor produtivo.

A universidade realizou visitas técnicas a propriedades da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (ACENPP) nos municípios de Pinhalão, Tomazina e Ibaiti, além de reunião no campus com representantes da Cooperativa Agrofamiliar Solidária (Coofamel), de Santa Helena. As ações são coordenadas pelo AgriTech Symbiosis, em parceria com a Agência de Inovação Unioeste e o Programa Agentes Regionais de Inovação do Governo do Estado.

Café com fermentação controlada

A patente de café fermentado, registrada em julho de 2024, utiliza três protocolos de fermentação com leveduras e microrganismos específicos antes das etapas usuais de secagem, torra e moagem. O processo altera significativamente o sabor e aroma do produto.

Em testes práticos, lotes que pontuavam 74 na metodologia da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) atingiram 84 pontos após fermentação, ultrapassando os 80 pontos que definem o nicho de cafés especiais. Essa melhoria torna os lotes especiais fermentados capazes de alcançar valores de duas a três vezes superiores ao café convencional.

A tecnologia nasceu do trabalho de conclusão de curso da engenheira química Gabriella Alyne Jacomini. O material de partida veio de cafeicultoras de Jesuítas, no Oeste do Estado.

A escolha do Norte Pioneiro para apresentação da tecnologia está ligada à Indicação Geográfica (IG) concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2012, que certifica a qualidade e tradição dos cafés da região conforme as características do solo.

Durante as conversas, a universidade identificou também potencial comercial no reaproveitamento dos resíduos da cafeicultura para extrair compostos bioativos, especialmente antioxidantes naturais com aplicações em alimentos, saúde e cosméticos. Uma nova visita técnica está programada para abril, período de colheita.

Hidromel funcional para apicultura

A segunda frente de transferência de tecnologia volta-se para bebidas artesanais e apicultura regional. A patente, publicada em junho de 2021, refere-se a um método de produção de bebida alcoólica funcional com propriedades probióticas fermentada à base de mel, que gera também uma célula microbiana probiótica como coproduto.

A tecnologia foi desenvolvida pelo acadêmico Wilian Colombo em iniciação científica. Apresentada a representantes da Coofamel em visita ao campus, a proposta busca transferir a metodologia para que a cooperativa incorpore o processo em escala comercial, diversificando seus produtos apícolas com um item de nicho e alto valor agregado, criando novas fontes de renda para a agricultura familiar.

O que é transferência de tecnologia

Transferência de tecnologia é o processo formal de repasse do conhecimento científico gerado em universidades e centros de pesquisa para o mercado. Permite que inovações desenvolvidas em laboratórios cheguem aos produtores e empresas que podem transformá-las em produtos comerciais, gerando valor econômico e social.

A Unioeste conduz essas ações por meio de agências e programas especializados que identificam inovações com potencial de mercado, avaliam o interesse de empresas e produtores, e facilitam contratos e parcerias. Assim, a pesquisa acadêmica se converte em oportunidades de negócio e renda para o estado.

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