O Tribunal de Contas do Estado suspendeu a licitação do transporte coletivo de Curitiba que seria realizada em 26 de novembro na Bolsa de Valores de São Paulo. A decisão começou com o conselheiro Fábio Camargo e foi mantida nesta quarta-feira (21/10) em reunião do TCE, enquanto o conselheiro Augustinho Zucchi pediu mais tempo para análise. O processo volta à pauta em 28 de outubro.
A suspensão questiona a operação de quatro linhas que ligam Curitiba a cidades vizinhas: a 106 (Barreirinha/São José), 304 (Pinhais/Campo Comprido), 607 (Colombo/CIC) e 702 (Caiuá/Cachoeira). O TCE argumenta que haveria sobreposição entre as rotas da Urbs e aquelas operadas pelo Governo do Paraná, por meio da Agência de Assuntos Metropolitanos (Amep).
Em coletiva nesta quarta, o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, rebateu a acusação. Segundo ele, não existe sobreposição porque as linhas são compartilhadas, não duplicadas. Cada trajeto integra operação conjunta: a Urbs fornece uma parte da frota e a Amep fornece outra, sob um mesmo convênio entre Governo do Estado e Prefeitura de Curitiba válido até março de 2027.
“O usuário nunca irá pagar a mais. O sistema é feito para beneficiá-lo”, afirmou Maia Neto. A Urbs já encaminhou sua defesa ao tribunal esclarecendo a natureza do compartilhamento e mantém que o edital respeita as regras de integração metropolitana.
O que o edital promete
A licitação foi elaborada a partir de estudos iniciados em 2023 com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com participação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e técnicos do TCE. O edital foi publicado em 19 de agosto deste ano após duas audiências públicas em outubro de 2025 e consulta pública online entre setembro e novembro de 2025.
O contrato prevê incorporação de cerca de 1.500 ônibus novos, ampliação da frota elétrica, abertura de mais linhas, integração ampla e veículos equipados com ar-condicionado. O investimento estimado é de R$ 3,9 bilhões ao longo da concessão.
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