HomeNacionalSaúde mental no trabalho: 5 mudanças que as empresas precisam fazer agora

Saúde mental no trabalho: 5 mudanças que as empresas precisam fazer agora

O cuidado com a saúde mental não pode ficar limitado a campanhas pontuais como o Setembro Amarelo. Para a psicoterapeuta Daniele Caetano, fundadora da Caminhos da Terapia, o sofrimento emocional no trabalho exige mudanças estruturais nas empresas ao longo de todo o ano.

Sobrecarga, metas irreais, jornadas extensas, falta de reconhecimento e lideranças despreparadas alimentam o estresse, a ansiedade e o burnout. Segundo Daniele, o adoecimento raramente vem de um único fator, mas da combinação entre características individuais e condições organizacionais que se mantêm por muito tempo. “Falar de burnout apenas como questão individual é insuficiente. A saúde mental também precisa ser analisada a partir de como o trabalho está organizado”, afirma.

Como as empresas podem agir

Daniele aponta cinco atitudes concretas. A primeira é criar espaços seguros para que os profissionais falem sobre dificuldades e sobrecarga, e depois transformar essas informações em ações reais. “Uma empresa saudável não espera o colaborador adoecer para perguntar como ele está”, destaca.

Gestores ocupam papel estratégico na prevenção porque estão diariamente com as equipes. Não precisam atuar como psicólogos, mas devem observar mudanças de comportamento como isolamento, irritabilidade, queda de produtividade, faltas frequentes ou dificuldade de concentração. Daniele alerta: a observação não deve virar julgamento. O líder deve demonstrar preocupação genuína e oferecer ajuda. “Uma liderança emocionalmente preparada é aquela que sabe escutar, reconhecer limites e acionar ajuda quando necessário”, explica.

Revisar a carga de trabalho é essencial. Perguntar se o funcionário “dá conta” não basta: é necessário avaliar volume de demandas, prazos, recursos e horas realmente trabalhadas. Metas incompatíveis com a estrutura disponível transformam a pressão por resultados em desgaste permanente. Produtividade sustentável depende de condições adequadas, sem transformar o esgotamento em modelo de gestão.

Enviar mensagens fora do expediente, cobrar respostas imediatas e estimular jornadas excessivas impedem a desconexão. “Precisamos abandonar a ideia de que disponibilidade é sinônimo de comprometimento”, afirma Daniele. Um funcionário que responde uma mensagem às 23h pode simplesmente estar com receio das consequências. Respeitar férias, pausas, horários de descanso e a vida pessoal deve fazer parte da cultura organizacional.

Por fim, o colaborador precisa de segurança psicológica para dizer “não sei”, “errei”, “preciso de ajuda” ou “não estou conseguindo” sem medo de represálias. Aspectos culturais naturalizados no ambiente corporativo, como estar sempre disponível, fragilizam os limites entre trabalho e vida pessoal e alimentam o adoecimento emocional.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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