O Rio Paraná pode alcançar 121 metros acima do nível do mar nesta quarta-feira (14) devido às chuvas acima do esperado nas bacias que alimentam o reservatório da Itaipu Binacional e na bacia do Rio Iguaçu. Diante da situação, equipes de Defesa Civil no Brasil e da Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu no Paraguai trabalham para proteger populações em áreas sujeitas a alagamentos.
Na terça-feira (13), a Itaipu abriu a segunda calha do vertedouro, localizada na parte central da estrutura. Segundo a empresa, a operação segue procedimentos técnicos que determinam quais calhas usar conforme a vazão de água a ser escoada. Entre as 11h e as 12h daquele dia, o volume vertido aumentou de 10,5 milhões de litros por segundo para 11,3 milhões de litros por segundo — um acréscimo de 800 mil litros por segundo.
A abertura da calha por si só não provoca alagamentos; o fator determinante é o aumento da vazão, conforme informou a Itaipu. Paulo Zanelli Jr., coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu, lembrou que Foz do Iguaçu e Ciudad del Este já enfrentaram outros episódios de cheia, sendo os maiores registros históricos em 1992, 1983 e 2014, nessa ordem.
Famílias retiradas no Paraguai
Cerca de 170 famílias foram retiradas de áreas alagáveis no bairro San Rafael, em Ciudad del Este. A operação reúne a equipe de Responsabilidade Social da Itaipu, Forças Armadas paraguaias, voluntários e moradores. De acordo com a empresa, os trabalhos devem ser intensificados nos próximos dias.
No lado brasileiro, a Defesa Civil monitora os níveis do Paraná e do Iguaçu e orienta moradores e frequentadores de áreas próximas às margens. Entre os locais acompanhados estão o Porto de Areia, o Catamarã, o Iate Clube Cataratas e o Clube Amambay, pontos historicamente atingidos durante cheias. A Itaipu informou que não há residências nas áreas brasileiras com possibilidade de alagamento.
Como funciona o monitoramento
A Itaipu controla a vazão do Rio Paraná por meio da gestão do reservatório e operação da usina, regulando o escoamento da água dentro dos limites operacionais. O monitoramento hidrometeorológico é realizado permanentemente pela Divisão de Estudos Hidrológicos da empresa, que utiliza experiências de eventos anteriores para aprimorar protocolos de segurança e resposta.
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