Quem tem deficiência recebe, em média, R$ 2.053 por mês. Quem não tem recebe R$ 2.890. A diferença corresponde a apenas 70% do rendimento, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 18 de setembro.
O problema aparece em todos os setores. Até mesmo em áreas melhor remuneradas, como administração pública, educação, saúde e serviços sociais, a diferença se mantém. Neste segmento, pessoas com deficiência ganham R$ 3.223, enquanto pessoas sem deficiência recebem R$ 4.146.
Além de ganhar menos, quem tem deficiência também trabalha em ocupações que pagam menos: serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação concentram a maior parte dessa população. “Em todos os grupos de atividades econômicas, as pessoas com deficiência recebiam menos do que as pessoas sem deficiência”, explica João Hallak Neto, pesquisador do IBGE.
Ocupação muito mais baixa
Apenas três em cada dez pessoas com deficiência em idade de trabalhar estão empregadas. O nível de ocupação é de 29%, enquanto para quem não tem deficiência sobe para 55,8%. Dos 13,71 milhões de pessoas em idade de trabalho com deficiência, apenas 3,97 milhões estão ocupadas.
Os números variam bastante conforme o tipo de deficiência. Quem tem dificuldade para enxergar tem a maior taxa de ocupação, com 35,9%. Já quem enfrenta limitações nas funções mentais fica com apenas 12,9%. Pessoas com dificuldade de caminhar ou subir degraus têm 17,2%, e quem não consegue pegar objetos pequenos fica em 17,7%.
Renda familiar mais dependente de benefícios
Em casas onde mora alguém com deficiência, o trabalho responde por apenas 55,7% da renda total da família. Os outros 44,3% vêm de outras fontes, como benefícios e pensões. Em domicílios sem pessoas com deficiência, o trabalho representa 78,4% do rendimento, e apenas 21,6% vêm de outras fontes.
Ao analisar por cor e raça, uma tendência diferente aparece: entre pessoas com deficiência, pretos e pardos têm mais ocupação que brancos. Homens pretos ou pardos com deficiência ocupam 36% das vagas, contra 34,6% dos brancos. Entre mulheres, 25,6% de pretas ou pardas estão ocupadas, enquanto 22,7% de brancas trabalham.
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