O Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, abre uma exposição sobre o mutum-do-sudeste no Dia da Ave, celebrado em 5 de outubro. A ave, típica da Mata Atlântica, está ameaçada de extinção e integra campanha do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres.
A mostra fica em frente ao viveiro da espécie, das 9h às 16h. Os visitantes conhecem as características do mutum, as ameaças que enfrenta e as ações para conservá-lo. A exposição também explica o papel da ave na manutenção e regeneração das florestas, especialmente porque dispersa sementes.
“O mutum-do-sudeste tem papel importante na dinâmica da Mata Atlântica, principalmente porque dispersa sementes. Apresentar a espécie aos visitantes ajuda a mostrar sua importância e os desafios para conservá-la”, diz Gabriela Possato, coordenadora de Educação para Conservação do Parque das Aves.
Observação de aves cresce no Brasil
A data coloca luz sobre uma prática que ganha adeptos: a observação de aves. No Brasil, plataformas digitais mostram o tamanho desse interesse. O WikiAves, maior comunidade brasileira de observação de aves e ciência cidadã, reúne mais de 57 mil observadores e 6,6 milhões de registros em foto e som. Em 2025, cerca de 3,7 mil novos usuários entraram na plataforma.
O Censo Brasileiro de Observação de Aves estima que entre 40 mil e 300 mil pessoas participam da atividade no país, dependendo do critério usado. Segundo o levantamento, 90% dos participantes ligam a observação à conexão com a natureza, e 74% citam ajudar outras pessoas a conhecer as aves como motivação.
Nos Estados Unidos, a prática já é expressiva. Em 2022, 96 milhões de pessoas com 16 anos ou mais observavam aves, o equivalente a 37% da população norte-americana nessa faixa etária. O aplicativo Merlin Bird ID saltou de cerca de 300 mil usuários ativos em março de 2020 para mais de 1,5 milhão em março de 2023.
Como começar a observar aves
Quem deseja começar não precisa de experiência ou longas caminhadas. No Parque das Aves, a observação acontece em uma trilha imersiva de cerca de dois quilômetros em meio à Mata Atlântica, com caminho pavimentado, contínuo e sem barreiras. O trajeto facilita a circulação de cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e pessoas com mobilidade reduzida, além de contar com áreas de descanso, banheiros acessíveis, fraldários e bebedouros com água potável gratuita.
Durante a visita, o público observa características das aves como vocalizações, cores, alimentação e comportamento. Espaços como o Viveiro das Araras e o Viveiro O Mundo dos Tucanos favorecem essa proximidade, permitindo que os visitantes treinem o olhar para detalhes que depois podem reconhecer em aves na natureza.
“A observação começa pela curiosidade e atenção aos detalhes. Quando aprendemos a perceber uma vocalização, uma cor ou um comportamento, passamos a enxergar as aves de outra maneira. Criar oportunidades para esse contato aproxima as pessoas da biodiversidade e as sensibiliza para a importância de conservá-la”, afirma Gabriela.
Novidades no Parque
O Parque das Aves também inaugura o Complexo de Saúde Animal, com laboratório, sala de raio-X, clínica veterinária com centro cirúrgico, nutrição animal e neonatologia. Parte dos ambientes tem paredes de vidro voltadas para a trilha, permitindo que o público acompanhe algumas atividades do cuidado diário com os animais, conforme a rotina das equipes e as necessidades das aves.
Atualmente, mais de 1.400 animais, de cerca de 130 espécies, vivem sob os cuidados do parque. Desse total, mais da metade chegou ao local com histórico de resgate.
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