Paranavaí registrou 935 mulheres abrindo empresas entre janeiro e setembro de 2026, um crescimento de 11,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram 840. O levantamento é do Observatório Econômico, com base em dados da Receita Federal e divulgado pela Secretaria Municipal de Fomento Econômico e Inovação.
Apesar do avanço no número absoluto, a participação feminina no total de novos empreendedores caiu de 40,8% para 39,9%, porque o número de negócios abertos por homens avançou 15,5% no mesmo período. No total, a cidade contabilizou 2.262 novas empresas entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 18,6% em relação às 1.907 aberturas registradas nos nove primeiros meses de 2025.
Setores com mais empresas femininas
O setor de serviços concentra a maioria das aberturas, com 1.404 novas empresas no período, crescimento de 19,9%. Desse total, 609 tinham participação de mulheres. O comércio vem em seguida com 403 aberturas, das quais 192 envolviam mulheres. Na indústria, 208 empresas foram registradas, com 81 tendo participação feminina. A construção teve 214 novas empresas, mas apenas 30 contavam com mulheres entre os responsáveis.
A agropecuária registrou o maior crescimento proporcional, com alta de 94,1%, somando 33 empresas abertas. Oito delas tinham participação feminina. Os dados mostram concentração em atividades como estética, cabeleireiros, comércio de roupas, cosméticos e serviços domésticos, enquanto pintura de edifícios, alvenaria, engenharia e transporte de cargas apresentam presença reduzida de mulheres.
Capital inicial menor entre mulheres
Um achado central do levantamento é a diferença no investimento inicial. Empresas formadas exclusivamente por mulheres tiveram mediana de capital declarado de R$ 3 mil, enquanto negócios exclusivamente masculinos chegaram a R$ 5 mil. Em sociedades mistas, o valor foi de R$ 20 mil. Isso significa que o capital inicial das empresas femininas equivale a 60% do das empresas masculinas.
Entre microempreendedoras individuais (MEI), a diferença persiste: R$ 1.800 para mulheres contra R$ 2.500 para homens. Nas sociedades limitadas com dois ou mais sócios, os valores foram iguais em R$ 30 mil.
Embora empresas exclusivamente femininas representem 38,5% das aberturas analisadas, elas concentram apenas 13% do capital declarado. Empresas exclusivamente masculinas correspondem a 57,2% dos registros e concentram 44% do capital.
Distribuição pela cidade e estrutura legal
O Centro lidera com 131 novas empreendedoras entre janeiro e setembro de 2026. O Jardim São Jorge vem em seguida com 109, seguido do Jardim Santos Dumont com 53. Os jardins Morumbi, Ouro Branco e das Nações também registram concentração de novos negócios femininos.
Quanto à estrutura legal, 63,5% das empreendedoras estão registradas como microempreendedoras individuais. Além disso, 72,3% são titulares de empresas individuais, proporção superior à observada entre homens, de 65,9%. A concentração também marca as atividades econômicas: 42% das empresas abertas por mulheres distribuem-se entre dez atividades principais, enquanto entre homens esse índice é de 33%.
O que significa empreendedorismo feminino
Empreendedorismo feminino é quando mulheres abrem e gerenciam suas próprias empresas, seja para gerar renda, conquistar independência financeira ou investir em um projeto pessoal. Envolve diferentes estruturas legais: a microempresa individual (MEI) é a forma mais simples e rápida, indicada para profissionais autônomos; já as sociedades limitadas envolvem dois ou mais sócios e exigem mais burocracia. O levantamento mostra que mulheres tendem a começar com menos capital e em setores específicos, enquanto homens distribuem seus investimentos de forma mais diversa e com valores maiores.
O acesso ao crédito, qualificação profissional e orientação para expandir para setores menos tradicionais femininos são apontados como caminhos para reduzir essas diferenças e consolidar os negócios já abertos.
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