Uma visita mediada realizada na quinta-feira (24/9) mostrou ao público parte do trabalho que será feito no Paço da Liberdade. A restauradora Tatiana Zanelatto, responsável pela recuperação de pinturas principalmente no hall do edifício e de três elementos originais do primeiro pavimento, explicou aspectos da conservação e a relação entre os detalhes arquitetônicos e a memória do local.
“Poder contribuir com o que eu sei fazer e poder trazer mais pessoas que possam vir e prestigiar esse trabalho é muito importante. É um restauro especial, é gratificante poder estar aqui”, afirmou Zanelatto durante a atividade.
Um século e meio de história
Inaugurado em 24 de fevereiro de 1916, o Paço foi construído para abrigar a sede da Prefeitura de Curitiba. O edifício reúne elementos neoclássicos e desenhos art nouveau, com alvenaria de tijolos, base em blocos de concreto e cantaria. O prédio também recebeu o primeiro elevador instalado na cidade.
A Prefeitura permaneceu no local até 1969, quando se mudou para o Palácio 29 de Março, no Centro Cívico. Nas décadas seguintes, o imóvel teve diferentes usos, incluindo o Museu Paranaense, que funcionou lá de 1974 a 2002. O edifício é tombado nas esferas municipal, estadual e federal, com proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1984.
Após fechamento, passou por ampla restauração a partir de 2007 em parceria entre a Prefeitura de Curitiba e o Sesc. Foi reinaugurado em 2009 como centro cultural, função que mantém. A programação cultural segue normalmente durante os trabalhos de conservação.
Preservação e memória
Entre os visitantes estava o filósofo Murilo Wenzel, que realizou pós-graduação em patrimônio histórico e restauro. Para ele, preservar o Paço significa manter a relação da cidade com seu passado. “Isso aqui é memória, é uma memória imaterial da cidade e do estado. O Paço foi construído para representar a pujança do Paraná. Cada estátua, cada madeira dessa tem um significado gigantesco para a nossa história”, afirmou.
Wenzel também destacou a localização do edifício no Centro como elemento que amplifica sua importância. Por estar em uma área de intenso movimento, o Paço faz parte do cotidiano de milhares de pessoas, ainda que muitas desconheçam sua história. “Vale muito a pena dar uma pausa na correria da vida e dar um passo para dentro do Paço, para conhecer tudo isso aqui”, comentou.
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