Oito pessoas presas na Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu III participaram de um projeto de artes visuais e literatura baseado no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos. A atividade, apresentada na quinta-feira, foi desenvolvida em parceria entre a unidade, a Polícia Penal do Paraná e o Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos Helena Kolody.
O trabalho propôs que os custodiados lessem a obra na íntegra, participassem de debates sobre os temas abordados e assistissem à adaptação cinematográfica do livro. Depois, criaram composições visuais originais baseadas na própria interpretação da narrativa, sem modelos prontos. O objetivo foi estimular o pensamento crítico, a sensibilidade artística e a expressão individual como ferramentas para a reconstrução de trajetórias pessoais.
Oito telas foram produzidas e agora compõem o acervo permanente da galeria da unidade prisional. Um dos participantes utilizou a técnica em negativo na sua obra, otimizando materiais de forma a também dialogar com preceitos de preservação ambiental enquanto retratava a aridez do sertão e o sofrimento humano narrados no clássico.
Remição de pena por leitura
O projeto integra um programa de remição de pena por leitura coordenado pelo professor Pedro Reis, docente de alfabetização do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos Helena Kolody. A escolha de Vidas Secas se deu pelo forte apelo visual e dramático do cenário sertanejo, da seca e do sofrimento humano retratados na obra.
A remição de pena por leitura é um mecanismo que permite ao detento reduzir sua sentença através da participação em atividades educacionais e culturais. A leitura integral de livros, seguida de avaliação de compreensão, pode resultar em diminuição do tempo de cumprimento de pena, incentivando a educação continuada e a reintegração social dentro do sistema penitenciário.
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