Moisés Tsunehiro Okahara, chefe de posto do Sine Boa Vista em Curitiba, consegue fazer caber na rotina tarefas que para maioria das pessoas pareceriam impossíveis de encaixar no mesmo dia.
Atende pessoas que buscam emprego, toca trompa em uma orquestra, dá aulas voluntárias de capoeira e ainda investe em cursos para se atualizar. O próprio Moisés brinca sobre o truque: “Ah, nem eu não sei” como consegue.
Na Prefeitura desde 2008, ele começou a carreira após um concurso de nível médio, vindo de um trabalho como repositor em supermercado. Passou por diversas funções até chegar ao Sine Boa Vista, onde trabalha há cerca de três anos atendendo pessoas com questões de seguro-desemprego e benefícios relacionados. “É um público que, muitas vezes, chega em um momento delicado, após uma demissão ou depois de um período prolongado sem conseguir uma colocação profissional”, explica.
A estabilidade do funcionalismo público abriu portas para investimentos em educação. Moisés é bacharel e docente em Filosofia, tem pós-graduação em Gestão de Cidades Inteligentes oferecida pela própria Prefeitura, além de formação técnica em Patologia Clínica e Mecânica Automotiva. Também possui carteira de motorista conquistada no mesmo período. “Essa variedade de conhecimentos ajuda a compreender melhor as diferentes profissões e realidades das pessoas que procuram atendimento no Sine”, diz.
Mais de 30 anos tocando instrumentos
A música entrou na vida de Moisés aos 10 anos, quando conheceu a banda musical do Colégio Estadual do Paraná. Durante 27 anos tocou trompete. Acompanhou a evolução do grupo, que se transformou de banda musical em banda sinfônica e posteriormente na Orquestra Filarmônica Bento Mussurunga, também ligada ao Colégio Estadual do Paraná. Por questões de saúde, migrou para a trompa nos últimos anos, instrumento que continua tocando.
Apresentações em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul marcaram sua trajetória musical, mas uma das experiências que mais o tocou aconteceu em casa. “O Teatro Guaíra foi especial. Nossa, se apresentar no Guaíra é fantástico”, recorda.
Capoeira desde 1998
Moisés pratica capoeira desde dezembro de 1998 e há cerca de 20 anos oferece aulas voluntárias no Centro de Esporte e Lazer Avelino Vieira, no bairro Tingui. Aos sábados, compartilha o conhecimento principalmente com jovens e adultos. Para ele, ensinar transcende a transmissão de movimentos e técnicas. É forma de manter vivo o aprendizado recebido e repassá-lo a outras gerações.
“É aquela veia, aquela paixão da docência, de querer passar o conhecimento adiante e continuar esse legado da transmissão do conhecimento”, explica. Ele também destaca os benefícios da prática para saúde, resistência física e convivência social, apontando-a como a atividade mais especial em sua rotina.
Para quem acredita não ter tempo de começar um curso ou experimentar algo novo, Moisés traz um conselho que recebeu de um professor de teoria musical aos 15 anos. “A reflexão era sobre como os anos passam rapidamente. Uma pessoa pode pensar que estudar por cinco anos é muito tempo e acabar adiando a decisão. Mas, quando esse período terminar, poderia ter concluído a formação ou avançado bastante no aprendizado. Se eu posso deixar um conselho é que se você se interesse por algo, comece”, diz o servidor.
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