A exposição Raízes, do artista Mario Kimura, abre ao público no sábado, 26 de setembro, às 15h, no Museu de História e Arte Hélenton Borba Côrtes, localizado no Teatro Calil Haddad em Maringá. O trabalho reúne esculturas produzidas desde a década de 1970 e artefatos arqueológicos encontrados na região ao longo de décadas de trabalho no campo.
Nascido em 1936 em Guarantã (SP), Kimura chegou ao Paraná aos 2 anos de idade, quando a família se estabeleceu na Colônia Esperança em Arapongas. Em 1948, adquiriram uma propriedade rural na região de Maringá, onde construíram a casa que hoje abriga o Memorial Kimura. Foi na década de 1970 que começou a produzir esculturas, inicialmente inspirado pelos trabalhos de marcenaria do tio Tanaka, utilizando principalmente raízes e madeiras de árvores encontradas no trabalho agrícola.
A criação artística de Kimura está ligada às transformações da agricultura regional. Após a geada de 1975, que devastou os cafezais tradicionais, muitos agricultores migraram para cultivos sazonais como algodão, soja, trigo e milho. A limpeza profunda do solo para essas mudanças revelou tanto raízes que viraram matéria-prima das esculturas quanto artefatos arqueológicos trazidos à superfície pelo arado.
Os materiais arqueológicos que integram a mostra remetem a diferentes períodos da ocupação humana na região. Estão presentes vestígios de grupos de caçadores e coletores de aproximadamente 6 mil a 8 mil anos atrás, além de materiais relacionados à tradição Kaingang, com cerca de 3 mil anos.
A exposição celebra os 90 anos de Mario Kimura, comemorados em 24 de setembro. Segundo sua filha Simone Kimura, uma das idealizadoras da mostra, o trabalho artístico do pai transforma a terra em um território repleto de memórias e significados, refletindo o respeito e a conexão que ele mantém com a natureza.
Memorial Kimura preserva história familiar e arqueológica
Mario Kimura é responsável pela criação do Memorial Kimura, um museu rural localizado no distrito de Floriano. O espaço reúne mobiliário, ferramentas, utensílios domésticos, indumentária, obras de arte, coleções de fotografias, moedas e revistas que retratam a trajetória dos Kimuras desde a saída da Província de Nagasaki, no sul do Japão, passando pelo período em fazendas de café no Estado de São Paulo, até a chegada ao Norte do Paraná. O memorial também guarda peças arqueológicas como materiais líticos e fragmentos de cerâmicas que ajudam a entender a ocupação histórica da região.
Como visitar
A exposição Raízes fica em cartaz de 26 de setembro a 26 de outubro. O horário de visitação é de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, com entrada gratuita e classificação livre. O endereço é o Museu de História e Arte Hélenton Borba Côrtes, no Teatro Calil Haddad em Maringá.
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