Francisco Beltrão registra o maior volume de abate sanitário preventivo de bovinos já realizado em sua história. No dia 13 de setembro, 42 vacas foram sacrificadas: 30 com brucelose e 12 com tuberculose. Outros 25 animais também tiveram o abate programado para o mesmo período.
O elevado número de sacrifícios não indica uma epidemia descontrolada, mas é resultado de um programa inédito de testagem em massa. A Secretaria de Desenvolvimento Rural projeta realizar mais de 50 mil exames de brucelose e tuberculose até o final do ano, cobrindo quase 100% das 2.700 propriedades leiteiras do município. Este volume equivale a mais da metade de todos os testes realizados em todo o estado do Paraná no ano anterior.
Investimento de meio milhão em saúde animal
A Prefeitura investiu mais de R$ 500 mil para subsidiar a campanha de exames preventivos, eliminando o custo como barreira para o produtor. A ação conta com 17 médicos veterinários credenciados em campo e busca elevar a qualidade do leite e eliminar riscos à saúde das famílias que trabalham com os animais.
Ambas as zoonoses podem ser transmitidas aos seres humanos pelo contato direto com os bovinos infectados. Para a tuberculose, a eliminação dos animais é a única forma de contenção. Na brucelose, o descarte é aliado à vacinação das novilhas.
Como funciona a testagem e o descarte
Os testes começaram em agosto. O diagnóstico confirmado de tuberculose leva cerca de 60 dias, enquanto o da brucelose leva uma semana. Até o momento, 78 propriedades registraram suspeitas, com 192 animais sob análise.
O descarte ocorre de duas formas: abate sanitário em frigorífico sob acompanhamento da inspeção veterinária oficial, com aproveitamento residual para a graxaria, ou eutanásia na própria propriedade com auxílio da Polícia Militar e apoio da Prefeitura para abertura de valas e sepultamento das carcaças.
O que é tuberculose e brucelose em rebanhos
Tuberculose e brucelose são doenças infecciosas que afetam o gado em todo o estado do Paraná. A tuberculose bovina reduz a produtividade e causa morte lenta nos animais; a brucelose interfere na reprodução e causa abortamento. Ambas comprometem a qualidade do leite e representam risco sanitário quando não controladas.
O maior perigo dessas zoonoses é a transmissão aos humanos durante o manejo dos animais ou processamento do leite cru. Por isso, programas de testagem preventiva e descarte controlado são considerados a melhor estratégia para garantir a segurança da cadeia produtiva e da saúde pública nos municípios pecuaristas.
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