O El Niño está causando secas em diferentes regiões das Américas que podem afetar o bolso do consumidor de duas formas: pelo preço dos alimentos e pela conta de energia. Com menos chuva, as plantações sofrem redução de produtividade e a criação de animais fica prejudicada, enquanto reservatórios de hidroelétricas perdem volume.
Os efeitos sobre os preços não chegam de imediato nem afetam todos os lugares da mesma forma. Mas períodos prolongados sem chuva reduzem a oferta de produtos agrícolas e aumentam os custos de produção. Na energia, a preocupação cresce quando os reservatórios das hidrelétricas baixam, obrigando o sistema a usar fontes mais caras de geração.
Agricultura sofre com falta de água
O setor agrícola está entre os mais vulneráveis à estiagem. A falta de água reduz a produtividade das lavouras, prejudica plantações e eleva os custos dos produtores. Na pecuária, a escassez de água e pastagens afeta a criação de animais, reduzindo a oferta de produtos que podem ter custos repassados ao consumidor.
Os impactos já aparecem na América Central. Em Honduras, o governo declarou alerta em 234 dos 298 municípios por causa da seca agravada pelo El Niño, com perdas de safras, baixos níveis de reservatórios e morte de animais. Em 75 municípios o nível de alerta é o máximo. O governo anunciou medidas como perfuração de poços, construção de reservatórios e distribuição de alimentos nas áreas mais atingidas.
Reservatórios baixos e conta de luz
A disponibilidade de água para abastecimento e geração de energia é outro ponto crítico. Em períodos prolongados com pouca chuva, os reservatórios das hidrelétricas perdem volume. Quando a geração hidrelétrica diminui, o sistema precisa aumentar o uso de outras fontes de energia, elevando os custos de produção de eletricidade.
No Brasil, a situação dos reservatórios e o custo de geração de energia fazem parte dos fatores considerados no funcionamento das bandeiras tarifárias, que podem afetar o valor cobrado na conta de luz.
Como funciona o El Niño
O El Niño ocorre quando há aumento persistente da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial central e oriental. O fenômeno altera a circulação atmosférica e modifica o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo, mas os efeitos não são iguais em todos os países. Algumas regiões enfrentam períodos mais secos, enquanto outras podem registrar excesso de chuva.
Cerca de 110 milhões de pessoas, do México ao norte do Brasil, passaram pelo mês de julho com temperaturas recordes desde o início dos registros, conforme análise baseada em dados do programa europeu Copernicus.
América Central na linha de frente
A região chamada Corredor Seco da América Central, que passa por partes de Honduras, El Salvador e Nicarágua, é especialmente vulnerável a eventos climáticos extremos. O Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas avaliou que a América Central provavelmente será uma das regiões mais afetadas pelo aumento da insegurança alimentar provocado pelo fenômeno.
Para o consumidor, a principal preocupação é a combinação de menor oferta de alimentos com aumento dos custos de produção. Na energia, a atenção se volta para o nível dos reservatórios e o custo das alternativas à geração hidrelétrica. O tamanho do impacto depende da duração da estiagem e das condições climáticas de cada região.
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