HomeFazenda Rio GrandeDez madeiras brasileiras mudam o sabor da cachaça

Dez madeiras brasileiras mudam o sabor da cachaça

A cachaça envelhecida em diferentes madeiras ganha personalidades distintas. O tipo de madeira onde a bebida fica armazenada influencia sua cor, aroma e sabor, explica Delfino Golfeto, cachacier e fundador da Água Doce Sabores do Brasil.

“A madeira tem papel importante no envelhecimento da cachaça, já que o contato com a bebida pode influenciar a cor, o aroma e o sabor. O resultado varia de acordo com o tipo utilizado, o tempo de contato, as condições de armazenamento, entre outros fatores”, diz Delfino. Em celebração ao Dia Nacional da Cachaça, comemorado em 13 de setembro, ele apresenta 10 espécies utilizadas no processo e sugere os melhores acompanhamentos para cada uma.

As dez madeiras e seus perfis

Amendoim: considerada neutra, reduz a acidez sem alterar drasticamente a cor ou sabor da cana-de-açúcar. Funciona bem com frango assado, carne suína, castanhas, queijos semiduros e sobremesas de chocolate ou caramelo.

Grápia: madeira semineutra que deixa um tom amarelo-palha claro e mantém o sabor original da cana com notas suavemente adocicadas. Harmoniza com carnes assadas, queijos semiduros e sobremesas com caramelo, mel ou frutas secas.

Peroba: menos conhecida, confere uma coloração amarelada e toque sutilmente amargo e seco. Ajuda a amaciar a bebida sem mascarar seu perfil original. Combina com petiscos, carnes brancas, queijos e pratos de intensidade média.

Louro: transfere notas florais e de especiarias como cravo-da-índia e canela, com fundo levemente adstringente. Funciona bem com carnes de panela, pratos com ervas, feijão e receitas tradicionais brasileiras.

Amburana: confere notas adocicadas e de especiarias, com aromas que lembram baunilha e canela. Combina com carne suína, costela com molho agridoce, queijos curados e sobremesas com doce de leite ou caramelo.

Bálsamo: proporciona características herbais, amadeiradas e de especiarias, com sensação levemente picante. Indicado para carnes vermelhas, embutidos, queijos maturados e pratos com temperos intensos.

Jatobá: madeira densa que confere coloração âmbar ou avermelhada. Traz robustez com notas de frutas secas, especiarias e toque amadeirado resinoso. Combina com carnes assadas, costelas, queijos de sabor intenso e chocolate amargo.

Jequitibá: oferece duas versões. A branca preserva as características originais sem alterar a cor; a rosa confere coloração dourada sutil e sabores macios semelhantes aos do carvalho. Ambas acompanham peixes, aves, saladas, frutos do mar e queijos suaves.

Freijó: apresenta influência suave, funciona de forma semelhante ao jequitibá-branco. Praticamente não solta cor ou aromas fortes, focando em reduzir a agressividade do álcool. Combina com entradas, peixes, frutos do mar, queijos frescos e pratos leves.

Ipê: tanto amarelo quanto roxo, transfere coloração dourada escura ou alaranjada. Amacia o destilado e agrega notas de especiarias e aromas de nozes e castanhas. Funciona bem com carnes grelhadas, linguiças, preparos defumados e queijos curados.

Por que madeira brasileira?

O carvalho é o principal tipo utilizado no envelhecimento de cachaça, embora seja importado, principalmente nas variedades Carvalho Americano e Carvalho Europeu. As madeiras brasileiras oferecem uma alternativa com características próprias e exploração de perfis menos convencionais.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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