A expansão acelerada da inteligência artificial está transformando a indústria de tecnologia, criando uma pressão crescente sobre a cadeia de semicondutores e a infraestrutura energética mundial. Fabricantes de chips deram prioridade a contratos com empresas ligadas à IA, reduzindo a oferta disponível para outros segmentos de tecnologia.
Em junho, a Reuters reportou que os preços de chips de memória subiram até 98% no primeiro trimestre de 2026, impulsionados pela forte demanda associada à construção de data centers destinados à IA. Esse cenário reflete a quantidade imensa de capacidade computacional necessária para desenvolver e executar aplicações de inteligência artificial em grande escala.
O consumo de energia em números
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo adicional de eletricidade dos data centers deve atingir 465 TWh por ano, volume equivalente a cerca de 70% de toda a eletricidade consumida pelo Brasil em 2025. Projeções apontam que em 2030, os data centers do mundo consumirão cerca de 1,42 vez o volume de eletricidade consumido pelo Brasil em 2025.
O consumo de eletricidade dos servidores acelerados, equipamentos utilizados principalmente em aplicações de IA, deve crescer aproximadamente 30% ao ano até 2030, respondendo por quase metade do aumento líquido da demanda dos data centers no período.
Redesenho da infraestrutura física
A maior capacidade de processamento exige mudanças significativas no projeto dos data centers. Os centros tradicionais foram projetados para retirar calor do equipamento principalmente por ar; contudo, os clusters de IA concentram muito mais potência em poucos racks, tornando esse método insuficiente ou pouco eficiente. Essa situação está acelerando a adoção de liquid cooling, especialmente direct-to-chip cooling.
Jorge Moreno, diretor de Novos Negócios da Tecnogera, explica que à medida que a capacidade aumenta, os projetos precisam considerar desde as etapas iniciais aspectos como fornecimento e distribuição de energia, sistemas de refrigeração e capacidade de suportar diferentes condições de carga.
Descompasso entre construção e planejamento
Um desafio adicional emerge do cronograma: enquanto um data center pode ficar operacional em dois a três anos, a construção da infraestrutura energética necessária para atendê-lo pode demandar prazos muito mais longos, envolvendo planejamento, investimentos e obras de expansão da rede elétrica.
Segundo a IEA, aspectos como fornecimento, distribuição, refrigeração, redundância e testes precisam ser considerados de forma integrada no planejamento dos novos data centers para que a infraestrutura energética acompanhe a evolução da tecnologia de inteligência artificial.
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