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Curitiba reúne profissionais para discutir diagnóstico precoce do Alzheimer

A Secretaria Municipal da Saúde reuniu 100 profissionais de Atenção Primária em encontro realizado segunda-feira (21/9) no Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns, no Pinheirinho, para discutir prevenção e diagnóstico precoce do Alzheimer. O evento aconteceu no Dia Mundial da Doença de Alzheimer, que em 2026 enfatiza a importância de identificar demências cedo.

A geriatra Ivete Berkenbrok, da área técnica de Saúde da Pessoa Idosa da Secretaria Municipal, e o médico Clóvis Cechinel, coordenador do programa de atenção domiciliar Saúde em Casa, conduziram as discussões. A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, ressaltou que o envelhecimento da população exige ampliar a atenção tanto na prevenção quanto no acompanhamento de quem já precisa de cuidados. “Quando a doença já chegou, é importante acolher. É um momento em que não somente o paciente, mas toda a família está vulnerável”, afirmou.

O que diferencia envelhecimento de demência

Uma das maiores dificuldades é distinguir mudanças normais da idade de sinais que exigem investigação. Esquecer onde deixou as chaves ou demorar para lembrar um nome conhecido, mas recordar depois, é comum com a idade. O alerta aparece quando os esquecimentos se tornam frequentes, avançam progressivamente e começam a atrapalhar a rotina: deixar repetidamente uma chaleira no fogo, esquecer de trancar a porta ou ter dificuldade para gerenciar as próprias contas.

“Envelhecer não é esquecer. Nem todo esquecimento é demência, mas todo esquecimento que traga desconforto na rotina da pessoa deve ser avaliado”, explicou Ivete. Cabe aos profissionais de saúde aplicar testes cognitivos e investigar outras condições que podem causar perda de memória, como deficiência de vitamina B12, problemas de tireoide, sífilis e depressão.

14 fatores que aumentam o risco

A Comissão Lancet de 2024 identificou 14 fatores de risco potencialmente modificáveis relacionados a demências. Controlá-los poderia prevenir ou adiar cerca de 45% dos casos. Entre eles: baixa escolaridade, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, inatividade física, depressão, perda auditiva, isolamento social e perda visual.

Boa parte dessas condições já faz parte do acompanhamento rotineiro nas Unidades de Saúde: controle de pressão, diabetes e colesterol, estímulo à atividade física, atenção à saúde mental, audição, visão e participação social. “O risco é acumulativo e ocorre ao longo da vida”, destacou Clóvis. Quando há suspeita de demência após investigação inicial, o paciente é encaminhado para avaliação especializada.

Manter autonomia enquanto houver capacidade

À medida que a doença progride, a necessidade de ajuda aumenta, mas isso não significa retirar antecipadamente a independência de quem recebeu o diagnóstico. A orientação é que a família se organize conforme novas necessidades apareçam, mantendo atividades que ainda podem ser realizadas de forma autônoma.

“É preciso respeitar sempre a autonomia e a independência do momento, não atropelando, adiantando fases”, orientou Ivete. Evitar fazer pela pessoa aquilo que ela continua capaz de fazer sozinha é fundamental para preservar sua dignidade e qualidade de vida durante o acompanhamento.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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