Crianças da rede municipal de Curitiba recebem óculos gratuitamente, com diagnóstico e armação personalizados, entregues diretamente nas escolas. Segundo a Prefeitura, 45 mil estudantes do Ensino Fundamental já foram avaliados e 6 mil foram diagnosticados com deficiência visual e estão usando ou prestes a receber os óculos.
O programa Olhar Que Transforma é executado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano em parceria com as secretarias da Educação e da Saúde. O investimento totaliza R$ 8 milhões. Cinco instituições de saúde — Hospital da Visão, Médicos de Olhos, Menino Deus, Hospital de Olhos e Santa Casa — deslocam equipes e equipamentos para as escolas, onde acontecem avaliação, escolha da armação e entrega dos óculos.
Micaela Vitória de Lima Ribeiro, 7 anos, estudante da Escola Municipal Sady Sousa no Sítio Cercado, é um exemplo do impacto. Diagnosticada com astigmatismo, ela tinha dor de cabeça frequente, aproximava-se da TV e da lousa para enxergar melhor. A professora Gisele Joenk relatou que após receber os óculos, Micaela melhorou a cópia do quadro, o traçado da escrita e a leitura. “Com os outros que passaram a usar óculos também aconteceu a mesma coisa”, afirmou.
Alívio financeiro para famílias
A mãe de Micaela, Rúbia Severo de Lima, motorista de aplicativo e mãe solo, destacou o impacto econômico do programa. “Quando lançaram o programa e ela chegou em casa falando que ia ganhar óculos, foi um alívio”, disse. Segundo Rúbia, um par de óculos custaria em torno de R$ 1 mil se tivesse de ser adquirido pela família.
Fernanda Ziemmermann, que coordena o programa na Secretaria Municipal de Educação, reforçou o ganho pedagógico: “Isso possibilita que as crianças aprendam com mais facilidade, o que contribui para que nenhum aluno fique para trás”.
Etapas e cobertura
As avaliações e entregas já ocorreram em escolas das regionais Boqueirão, CIC, Boa Vista, Cajuru, Pinheirinho e Bairro Novo. Na regional Bairro Novo, onde fica a escola de Micaela, 34 dos 240 colegas da menina foram diagnosticados com deficiência visual e já receberam os óculos.
Atualmente, o programa percorre escolas das regionais Santa Felicidade, Portão, Matriz e Tatuquara. A conclusão do trabalho está prevista para o fim de novembro.
Por que as crianças recebem óculos nas escolas
Problemas de visão não corrigidos afetam direto o desempenho escolar. Crianças com miopia, hipermetropia ou astigmatismo — deformação na córnea — têm dificuldade para enxergar a lousa, copiar textos e acompanhar a aula, o que leva pais e professores a confundir com falta de atenção ou deficiência neurológica. A avaliação feita dentro da escola acelera a identificação e tira a barreira financeira: muitas famílias não têm condição de pagar óculos, processo que envolve consulta com oftalmologista, compra da armação e lentes.
Quando a visão é corrigida, a criança consegue acompanhar a lição do quadro, ler com clareza e evita o esforço excessivo dos olhos que causa dor de cabeça. O resultado é melhora na caligrafia, na leitura e na compreensão do conteúdo — ganhos que transbordam para todas as disciplinas.
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