Um seminário realizado pela Fundação de Ação Social debateu nesta terça-feira como ampliar o acolhimento familiar de crianças e adolescentes em Curitiba, modalidade que permite que menores vivam temporariamente com famílias preparadas enquanto recebem acompanhamento técnico.
O encontro reuniu profissionais da rede de proteção, representantes de organizações, famílias acolhedoras e integrantes de conselhos municipais. Palestras da psicóloga Luciana Perez, referência nacional no tema, e da promotora de Justiça Fernanda Nagl Garcez apresentaram desafios e perspectivas do serviço. Duas famílias compartilharam suas experiências de acolhimento.
Desde que o serviço começou em Curitiba, em 2019, 80 famílias foram credenciadas e 110 crianças e adolescentes passaram pelo acolhimento familiar. Hoje, apenas 16 famílias acolhem 17 menores — um número pequeno perto dos aproximadamente 600 que vivem em unidades de acolhimento institucional do município.
Amanda Jaqueline Silva Ferrari, que há dois anos participa do programa e acolhe sua segunda criança, uma menina de 4 anos, descreveu a experiência: “é um desafio, mas um desafio leve, não precisa ter coragem para participar, apenas ter amor para dar a uma pessoa.”
Mudança na cultura e nos valores
O presidente da Fundação de Ação Social, Renan de Oliveira Rodrigues, apontou que ampliar o acolhimento familiar e qualificar o atendimento institucional estão entre as prioridades. A bolsa mensal paga às famílias acolhedoras aumentou de R$ 998 para R$ 1.518. “Queremos que Curitiba se torne referência nacional nesse serviço”, afirmou.
Para o presidente da Acridas — organização contratada para executar o serviço — Marcelo de Souza, o acolhimento familiar deve ser a modalidade preferencial. “Estamos falando de um direito universal dessas crianças, o direito de viver em família. Quando perguntamos a uma criança que vive em um abrigo qual é o seu sonho, ela sempre responde que quer ter uma família”, disse.
A psicóloga Luciana Perez ressaltou que ampliar o serviço exige mudanças além da estrutura da política pública. “Não se trata simplesmente de transferir uma criança de um acolhimento institucional para uma família. É preciso avançar na gestão, nas questões técnicas e, principalmente, na mudança de cultura. Mas dependemos 100% da sociedade civil. Se não tivermos famílias acolhedoras, não teremos o serviço.”
O que é e como funciona o acolhimento familiar
O acolhimento familiar é uma modalidade de proteção em que crianças e adolescentes afastados do convívio familiar vivem temporariamente com famílias cadastradas e orientadas por uma equipe técnica. Diferencia-se do acolhimento institucional, que ocorre em unidades públicas ou contratadas gerenciadas pelo município. A modalidade permite que a criança permaneça em um ambiente familiar enquanto aguarda retorno à família de origem ou, quando necessário, adoção. As famílias acolhedoras recebem preparação, supervisão e bolsa mensal para custeio das despesas.
Segundo a Fundação de Ação Social, o acompanhamento inclui capacitações, supervisão técnica, visitas e monitoramento contínuo do desenvolvimento da criança. O objetivo é oferecer uma alternativa menos institucionalizada e mais próxima do convívio familiar tradicional, reconhecido como fator importante para o desenvolvimento emocional e social.
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