Cascavel começou a liberar mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia em 17 bairros da cidade. Os Wolbitos, como são chamados, não transmitem dengue, Zika e chikungunya. Quando se acasalam com mosquitos locais, passam a bactéria para as gerações seguintes, reduzindo gradualmente a capacidade do vetor de transmitir essas doenças.
A soltura ocorrerá de forma gradual ao longo de 26 semanas, com agentes de campo treinados realizando liberações controladas semanalmente. Serão utilizados 6.073 pontos de soltura, protegendo 215.318 pessoas nos bairros contemplados.
Os 17 bairros que recebem a tecnologia são: Brasmadeira, Cancelli, Centro, Florestas, Guarujá, Morumbi, Periolo, XIV de Novembro, Santa Felicidade, Interlagos, Esmeralda, Alto Alegre, Brasília, São Cristóvão, Cataratas, Cascavel Velho e Universitário.
Como funciona a liberação
A cidade instalou uma base de apoio com Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs) em pontos estratégicos. As cápsulas contêm ovos e ração que, ao contato com a água, geram os mosquitos diretamente no local de liberação. A população é orientada a informar a Secretaria de Saúde caso encontre os dispositivos danificados ou no chão, pelos telefones (45) 3902-1343 e WhatsApp (45) 9113-0867.
O monitoramento da eficácia ocorre por meio de ovitrampas, que medem o estabelecimento da bactéria no ambiente. Quanto maior a presença de mosquitos com Wolbachia, menores são os casos de dengue, Zika e chikungunya. Em Niterói, onde toda a cidade está coberta pela tecnologia, houve redução de 89% nos casos de dengue.
Participação da população é essencial
Antes da fase de liberação, a população recebeu informações sobre o método e seu funcionamento. Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil, ressaltou que o sucesso depende também da eliminação de criadouros: “Quem mata o Aedes aegypti também contribui para o método”.
O Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia integra as Diretrizes de Controle e Prevenção das Arboviroses desde 2025 e já está presente em 16 cidades brasileiras, protegendo mais de 8 milhões de pessoas.
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