Campo Mourão celebrou na sexta-feira (4) cinco décadas do Plano Nacional de Conservação dos Solos (PNCS), lançado no município em 1976. A solenidade aconteceu na Praça Bento Munhoz da Rocha Neto, em frente ao Monumento Pró-Solo, com presença de autoridades, engenheiros agrônomos e pioneiros da agricultura local.
O lançamento do plano transformou a realidade agrícola de Campo Mourão. Na época, o município enfrentava o fim do ciclo da madeira e precisava encontrar formas de aproveitar solos considerados pouco férteis e afetados pela erosão. A adoção de técnicas conservacionistas, acompanhada pelo plantio direto, mudou completamente esse cenário.
O plantio direto começou em Campo Mourão na safra 1973/74, tornando o município a segunda experiência brasileira com o sistema. A técnica eliminou o revolvimento constante da terra, manteve a palhada sobre o solo e reduziu perdas provocadas por chuvas e ventos. Hoje, a região possui solos produtivos e entre os mais valorizados do Paraná e do Brasil.
O evento de 1976
A solenidade de 50 anos relembrou o lançamento original, que contou com a presença do então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, e do governador do Paraná, Jayme Canet Júnior. Naquela ocasião, uma chuva intensa interrompeu a cerimônia na praça e obrigou a transferência para um armazém de sementes da Coamo, onde o plano foi finalizado.
Segundo José Aroldo Gallassini, presidente dos Conselhos de Administração da Coamo e da Credicoamo, o trabalho desenvolvido na região foi determinante para que Campo Mourão recebesse o lançamento nacional. “Fizemos um trabalho muito grande de conservação do solo, com várias tentativas, desde cordões de contorno até terraços de base larga para segurar a água das chuvas. Mesmo assim, ainda enfrentávamos muitas dificuldades”, lembrou.
Pioneirismo e referência
Gallassini destacou que a mudança foi profunda quando a região adotou o plantio sem revolver a terra mantendo a palhada. “Quando passamos a plantar sem revolver a terra e mantendo a palhada, o sistema de produção mudou completamente. O lançamento do plano aqui foi o reconhecimento de todo o esforço realizado pelos produtores, agrônomos e entidades da região”, afirmou.
O prefeito Douglas Fabrício ressaltou que o evento resgata uma história que ajudou a construir a força econômica do município. Para ele, a conservação dos recursos naturais continua sendo indispensável. “Não existe agricultura sem solo e sem água. A chuva durante esta cerimônia reforça justamente essa relação e nos lembra que produzir também significa preservar os recursos que sustentam a atividade”, disse.
O presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM), José Petruise Ferreira Júnior, lembrou que nas décadas de 1950, 1960 e início dos anos 1970 a região era marcada por solos pouco produtivos. Ele destacou o trabalho de produtores, técnicos e lideranças como José Aroldo Gallassini, Martin Kaiser e Ricardo Accioly Calderari. “Hoje temos solos produtivos, com alta fertilidade e entre os mais valorizados do Paraná e do Brasil. A região se transformou em um verdadeiro celeiro agrícola porque compreendeu que é impossível produzir bem sem conservar bem”, afirmou Petruise.
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