HomeLitoralParanaguáCaminhoneiro de Paranaguá fala sobre 27 anos na estrada, riscos e saudade...

Caminhoneiro de Paranaguá fala sobre 27 anos na estrada, riscos e saudade da família

Aos 43 anos, o caminhoneiro Giscard Soares, de Paranaguá, acumula 27 anos de experiência nas estradas. Em entrevista ao vivo na quarta-feira, 16, Dia Nacional do Caminhoneiro, ele falou sobre a rotina da profissão, os riscos nas rodovias e o impacto emocional do afastamento familiar.

Soares cresceu em uma família ligada ao transporte e começou a carreira ainda jovem, aprendendo com tios e primos. Atualmente trabalha principalmente com transporte de contêineres e há cerca de dez a 12 anos realiza deslocamentos entre terminais dentro de Paranaguá.

Segundo ele, a profissão exige dedicação genuína. “Ser caminhoneiro, você tem que realmente gostar”, afirmou na entrevista. Apesar dos desafios, Soares reforça que o transporte rodoviário continua indispensável ao país.

Valorização em queda

Durante a conversa, o caminhoneiro avaliou as mudanças na categoria ao longo dos anos. Na visão dele, houve redução na valorização social dos profissionais. “Antigamente o caminhoneiro era bem mais valorizado. Ele era uma peça fundamental. Hoje perdeu um pouco”, comentou.

Falta de conhecimento nas estradas

Soares defende que motoristas de carros e motocicletas recebam mais informações sobre as características dos veículos pesados durante a formação. Muitos desconhecem aspectos como o tempo necessário para um caminhão realizar uma ultrapassagem ou a diferença de potência entre os veículos.

“A pessoa não sabe o que é um caminhão na estrada”, disse. Ele citou como exemplo situações perigosas em trechos de subida, onde ultrapassagens podem se tornar arriscadas. “Entender o que é um caminhão na estrada seria interessante”, reforçou.

O lado emocional da profissão

Além dos riscos físicos, o afastamento da família é apontado por Soares como uma das partes mais difíceis do trabalho. “A lição que ela traz todo dia é o afastamento familiar”, contou. Segundo ele, a saudade acompanha o profissional durante toda a viagem. “O caminhoneiro já sai com a saudade, viaja com a saudade e não vê a hora de voltar para matar a saudade”, afirmou.

Soares ressalta o impacto emocional dessa distância: “Você deixa filho, você deixa esposa, você deixa família e geralmente você não sabe se vai voltar”. Embora tenha um filho que também seguiu a profissão, prefere que ele permaneça trabalhando internamente em Paranaguá, em vez de fazer viagens longas.

Presença nas redes sociais

Além da profissão, Soares ficou conhecido em Paranaguá pela atuação nas redes sociais, onde publica vídeos do cotidiano de forma descontraída. Um dos seus vídeos alcançou 14 milhões de visualizações depois de ser compartilhado por outras páginas. Apesar da repercussão, ele afirma que nunca teve como objetivo principal ganhar dinheiro com as plataformas. “Eu sempre fiz natural, nunca monetizei para ganhar dinheiro”, disse.

Experiências da estrada

Mesmo diante das dificuldades, a profissão também proporcionou a Soares experiências, amizades e a oportunidade de conhecer diferentes lugares. Durante os 27 anos de carreira, ele chegou a viajar até Fortaleza, no Ceará.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

Matérias Relacionadas

Mais Lidas

Comentários Recentes