A Biblioteca Pública de Londrina apresenta, até 29 de outubro, a II Exposição AUTORRETRATO, que examina as formas de representação artística de si mesmo. A mostra tem entrada gratuita e reúne 14 painéis de aproximadamente 54 centímetros por 82 centímetros.
O projeto nasceu de uma pesquisa de Iniciação Científica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Secretaria Municipal de Cultura. A curadoria é de Marcella Andrade, estudante do 5º ano de Psicologia da UEL, sob orientação do professor doutor Sílvio César dos Santos Alves.
A investigação, intitulada “O si mesmo como um outro. O autorretrato enquanto dispositivo de subjetivação”, estuda como a autorrepresentação funciona como forma de escrita e também como recurso terapêutico. Combina teorias de áreas como Psicologia e Letras, dialogando com Sigmund Freud e Carl Jung, além de pesquisas sobre autobiografia.
Influência de pesquisadora antimanicomial
Um referencial central é a trajetória da psiquiatra brasileira Nise da Silveira, pioneira da luta antimanicomial desde 1940. O contato com seu trabalho levou os pesquisadores a ampliar o foco: perceberam que nem sempre a palavra é suficiente para expressão. Muitos pacientes encontram na pintura e em atividades manuais formas mais acessíveis de comunicação e elaboração de experiências.
Os painéis foram elaborados a partir de materiais de domínio público do acervo virtual do Museu de Imagens do Inconsciente. A mostra inclui obras de alunos que participaram das atividades desenvolvidas por Nise da Silveira e autorretratos do pintor neerlandês Vincent van Gogh, ampliando o diálogo sobre diferentes formas de autorrepresentação.
O autorretrato além da aparência física
Conforme Marcella Andrade, curadora, o conceito vai muito além da reprodução da aparência. “Nem sempre o autorretrato é uma maneira fiel de autorrepresentação. Pode se dar de múltiplas formas, ser abstrato ou causar estranhamento. É um conceito fragmentado, como um mosaico, que funciona como base para ingressar no universo interior da pessoa retratada”, explica.
A exposição também busca contribuir para discussões sobre saúde mental e redução de estigmas associados aos pacientes psiquiátricos. Segundo Andrade, “queremos romper estigmas sobre pacientes psiquiátricos. É uma exposição artística e os pintores precisam ser reconhecidos como artistas. É a valorização da arte e da luta antimanicomial”.
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