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Frimesa treina equipe em Libras para incluir profissionais surdos

A Frimesa, uma das maiores cooperativas alimentícias do Brasil com sede em Medianeira, ampliou sua aposta em inclusão: 12,4% do quadro de colaboradores são pessoas com deficiência, grupo que inclui profissionais surdos. Para que esses trabalhadores se desenvolvam com segurança e autonomia, a cooperativa investe em treinamentos e em uma frente inusitada — capacitar colaboradores ouvintes em Libras.

A estratégia reconhece o que especialistas já apontam: contratar é só o começo. Incluir de verdade exige recursos, adaptações estruturais e uma equipe que saiba se comunicar. Sem isso, o profissional surdo segue isolado.

Parceria com associações locais

Em vez de criar programas do zero, a Frimesa reforça trabalho que já existe. A cooperativa firmou parceria com a AMESFI (Associação Medianeirense de Surdos) e a AMEDEF (Associação Medianeirense dos Deficientes Físicos), ambas em Medianeira, para três frentes conjuntas.

Colaboradores ouvintes da Frimesa podem se inscrever gratuitamente em cursos de Libras oferecidos pela AMESFI. A cooperativa também oferece treinamentos em liderança para profissionais das associações e cria oportunidades de trabalho para quem frequenta os programas. Além disso, repassa doações mensais para projetos sociais e direciona materiais recicláveis para artesanato.

Segundo Cinara Munhoz Cazorla, gerente de Gente e Gestão da Frimesa, transformar a cultura da empresa exige engajar lideranças e pares. “Quando viabilizamos o letramento em Libras para os times e nos aliamos a entidades como a AMESFI, geramos um impacto positivo duradouro para toda a comunidade de Medianeira”, afirma.

O cenário de surdez no Brasil

Segundo o IBGE, cerca de 2,3 milhões de pessoas no Brasil têm deficiência auditiva — 1,1% da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que até 2050 uma a cada quatro pessoas viverão com algum grau de perda auditiva, o que significa mais profissionais surdos entrando no mercado de trabalho.

Esse cenário obriga empresas a repensar seus ambientes e processos. Inclusão genuína não é cumprimento de cota; é acessibilidade, comunicação clara e pertencimento real — o que faz diferença na forma como o profissional trabalha e se vê dentro da organização.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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