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Bioinsumos transformam o manejo de lavouras no Paraná

Bactérias, fungos e substâncias de origem vegetal estão mudando o jeito de cultivar soja, milho e trigo no Paraná. Os bioinsumos, tecnologia baseada em processos naturais, prometem reduzir custos e impactos ambientais sem perder produtividade.

Segundo o professor Admilton Gonçalves de Oliveira, coordenador do Laboratório de Biotecnologia Microbiana da Universidade Estadual de Londrina, bioinsumos são produtos ou processos de origem vegetal, animal ou microbiana aplicados para melhorar as plantas, estimular a fertilidade do solo e controlar doenças. O laboratório já tem quatro soluções biológicas licenciadas para controle de doenças em plantas, e um produto já está comercializado.

Fixação de nitrogênio na soja

Uma das aplicações mais consolidadas é a inoculação da soja com a bactéria Bradyrhizobium. De acordo com pesquisadores da Embrapa Soja, esse processo substitui completamente a necessidade de fertilizantes nitrogenados como ureia ou nitrato de amônio, reduzindo despesas e aumentando a competitividade da soja brasileira.

Quando o produtor combina o Bradyrhizobium com outra bactéria, o Azospirillum, em um processo chamado coinoculação, o ganho médio de receita chega a R$ 510 por hectare, com aumento de 8% na produtividade. A aplicação ocorre durante a semeadura, adicionando o produto na semente ou no sulco de plantio por meio de equipamento específico.

No Brasil, aproximadamente 85% dos produtores utilizam inoculantes. No Paraná, porém, esse índice cai para 70%, segundo levantamento da Embrapa em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná.

Economia e sustentabilidade na prática

Em Sabáudia, a produtora rural Cláudia D’Agostini cultiva soja, milho e trigo em uma propriedade de 170 alqueires e prioriza bioinsumos há seis anos. Ela utiliza inoculação, coinoculação, bioestimulantes como trichoderma e produtos para controle de doenças do solo.

D’Agostini relata uma experiência que mudou a percepção da família sobre custos. No controle de percevejos, uma área tratada apenas com químicos exigiu seis aplicações. Outra, onde um biológico foi aplicado primeiro, necessitou apenas três aplicações químicas. A decisão pelos bioinsumos repousa em duas razões: viabilidade econômica e preocupação ambiental.

“Aquilo que a gente consegue ir mais para o lado de biológico para utilizar, a gente vai dando preferência”, afirmou D’Agostini. Ela reconhece que biológicos podem custar um pouco mais que químicos, mas considera a escolha vantajosa a longo prazo pelo equilíbrio que geram na lavoura.

Pesquisa de 50 anos

A pesquisa com bioinsumos não é recente. Segundo pesquisador da Embrapa Soja, a instituição acumula pelo menos 50 anos de estudos nessa área, com investigações ainda mais antigas conduzidas por universidades.

Para a academia, a adoção de bioinsumos representa um diferencial competitivo do Brasil no mercado internacional. Tecnologias que não agridem o planeta, não prejudicam o solo e não têm potencial tóxico para animais e seres humanos agregam valor aos produtos brasileiros e fortalecem o protagonismo do país no setor.

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