Cascavel caminha para se tornar a quarta maior cidade do Paraná na próxima década. A projeção é do presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Paulo Orso, que relaciona o crescimento da cidade aos investimentos em infraestrutura viária, à posição estratégica no estado e à força do agronegócio regional.
Atualmente com cerca de 370 mil habitantes, Cascavel poderá alcançar entre 500 mil e 600 mil moradores nos próximos dez anos. Segundo Orso, “a cidade vive um novo ciclo de expansão”. O crescimento acompanhará a ampliação das atividades econômicas e a atração de novos investimentos, com destaque para projetos de infraestrutura viária: o Contorno Oeste já foi duplicado, e os projetos dos Contornos Norte e Sul devem ampliar a circulação de pessoas e mercadorias.
A diversificação como diferencial
Um dos pontos fortes de Cascavel é a variedade de atividades agropecuárias desenvolvidas no município. Enquanto muitos produtores dependem de uma única cadeia produtiva, a região equilibra a produção de leite, avicultura, piscicultura, suinocultura e pecuária de corte. Cascavel integra a segunda maior bacia leiteira do Paraná. Essa diversificação garante diferentes fluxos de caixa ao longo do ano: a produção de leite rende mensalmente, enquanto a avicultura oferece receitas em ciclos mais curtos. “Quando uma atividade enfrenta preços desfavoráveis, outras cadeias mantêm a renda das propriedades”, explica Orso, reduzindo o risco de colapso econômico causado pela oscilação de uma única cultura.
A estrutura diversificada também movimenta o comércio e os serviços ligados ao campo, reforçando a estabilidade econômica rural da região.
Custos e riscos na produção de grãos
Apesar das perspectivas positivas, produtores de grãos enfrentam dificuldades. Na soja, o custo de produção está em torno de 130 sacas por alqueire, de acordo com Orso. Considerando uma produtividade média regional entre 150 e 160 sacas por alqueire, a margem que permanece efetivamente com o produtor é estreita diante do capital empregado e dos riscos climáticos envolvidos.
Além dos custos elevados, produtores rurais enfrentam acesso limitado e preços altos no seguro rural, aumentando sua exposição a perdas ocasionadas por eventos climáticos adversos.
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