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Elton John se despede do Brasil com show emocionante no Rock in Rio

Elton John subiu ao palco Mundo do Rock in Rio na noite de segunda-feira (7) para fazer sua despedida do Brasil. O show emocionou o público do Parque Olímpico com um repertório repleto de clássicos, apesar das limitações físicas do cantor britânico.

A apresentação marcou o encerramento de uma dívida com o país. Quando Elton John se aposentou das grandes turnês em 2023, ao final da excursão “Farewell Yellow Brick Road”, deixou de fora o Brasil e toda a América Latina. Ao ser convidado para o Rock in Rio 2026, não hesitou em aceitar. “Ficou tão triste por isso”, explicou no palco, dizendo que a pandemia de Covid-19 impediu a passagem anterior. Usando um terno amarelo sobre camisa azul, em alusão às cores do país, Elton John reafirmou que o Brasil é um de seus melhores lugares e que queria se despedir pessoalmente dos amigos e fãs por aqui.

Esta é a oitava vinda do músico ao Brasil desde a década de 1990, a terceira no Rock in Rio depois de apresentações em 2011 e 2015. O cantor enfrenta limitações: perdeu a visão do olho direito há dois anos após uma infecção ocular e tem dificuldades no olho esquerdo. Sua voz não possui a mesma potência de outrora e no começo do show demorou a esquentar, falhando em alguns momentos. Apesar disso, manteve o domínio do palco e a conexão com dezenas de milhares de pessoas.

O repertório dos clássicos

O show começou com “Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding”, seguido por “Bennie and the Jets”, quando o cantor já estava aquecido. O público acompanhou todos os hits conhecidos, com particular entusiasmo nas baladas tocadas ao piano e voz. Entre elas estavam “Candle in the Wind” e “Goodbye Yellow Brick Road”, ambas do álbum de 1973, em um dos momentos mais tocantes da noite.

A setlist incluiu ainda “Levon”, “Sorry Seems to Be the Hardest Word”, “Someone Saved my Life Tonight”, “Crocodile Rock” e “Saturday Night’s Alright (For Fighting)”. A reta final teve “Cold Heart”, remix com batidas eletrônicas e participação de Dua Lipa, seguido de “Skyline Pigeon”, canção que ficou popular no Brasil como trilha da novela “Carinhoso” de 1973 e que o cantor toca habitualmente em seus shows no país. “Essa é a primeira música que escrevi com Bernie [Taupin]”, disse Elton John, explicando que “aqui é o único lugar do mundo em que ela é popular”. O show encerrou com “Your Song”, seu maior sucesso, num momento de grande comoção coletiva.

Produção visual e desafios técnicos

Os telões de LED gigantes do palco Mundo exibiram imagens criativas durante a apresentação. “I Guess That’s Why They Call it the Blues” trouxe fotos do documentarista britânico Martin Parr, falecido em dezembro do ano passado. “Honky Cat” incluiu cenas do filme “Rocketman” de 2019, enquanto “Rocket Man” ganhou efeitos visuais espaciais. Em “Crocodile Rock”, os telões mostraram fãs estilosos do cantor com menções ao Brasil.

Apesar da produção, parte do público não conseguiu acompanhar todas as performances por causa da distância, já que algumas ações no palco não eram visíveis para todos. A dificuldade de Elton John em enxergar também afetou sua comunicação com a banda no palco. O cantor ainda comentou sobre o frio incomum de 17°C no Rio de Janeiro naquela noite, uma de suas poucas interações diretas com a plateia.

Contexto: O que é a despedida de um artista

Quando um músico de grande carreira anuncia sua aposentadoria dos palcos, costuma fazer uma turnê de despedida que passa pelas principais cidades e mercados onde gravou sua história. Essa turnê serve como oportunidade final para os fãs verem o artista ao vivo e para o próprio músico celebrar sua obra com o público. No caso de Elton John, a turnê “Farewell Yellow Brick Road” durou vários anos e passou por diversos países, mas a pandemia impôs restrições que impediram sua vinda ao Brasil.

Apresentações esporádicas após a aposentadoria, como a deste Rock in Rio, são exceções. Diferem das turnês regulares porque o artista não viaja continuamente, mas apenas aceita convites especiais para ocasiões pontuais. Essas aparições raras adquirem ainda mais valor emocional para fãs e para o próprio artista, que pode estar enfrentando limites físicos relacionados à idade ou saúde. No palco, Elton John demonstrou que, apesar dessas limitações, permanece uma figura rara na história da música, capaz de segurar uma plateia gigantesca com sua presença e seu domínio musical.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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