HomeMaringáAos 10 anos, aluna cega da rede municipal mostra autonomia na escola

Aos 10 anos, aluna cega da rede municipal mostra autonomia na escola

Laura tem 10 anos, estuda na Escola Municipal Octávio Periotto em Maringá e nasceu cega. Desde o segundo ano no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei), ela constrói sua trajetória escolar participando das aulas, desenvolvendo estratégias próprias de aprendizagem e cultivando amizades com os colegas. Gosta de Educação Física, Artes, pintura, vôlei e pular corda.

Para ela, a deficiência visual faz parte da vida, mas não determina o que consegue aprender ou fazer. “Ser cega não atrapalha meus estudos. Eu consigo aprender, fazer as atividades e participar das aulas como todo mundo. Quando tem alguma coisa que eu não consigo fazer do mesmo jeito, eu faço de outro”, afirma Laura. Ela reconhece a escola como espaço de integração com os professores e colegas, onde se sente parte ativa da comunidade escolar.

Recursos que garantem acesso ao aprendizado

A Prefeitura de Maringá oferece à aluna diferentes recursos pedagógicos para que ela acompanhe o conteúdo na mesma rotina dos demais estudantes. Laura conta com uma máquina Braille para a transcrição dos conteúdos das aulas e cadernos adaptados. Nas aulas de Matemática, utiliza o soroban, um instrumento adaptado que permite trabalhar cálculos e conceitos matemáticos de forma acessível.

Quando Laura chegou à escola, a orientadora Flávia Freitas tinha receio de não conseguir atender todas as necessidades da estudante. “A gente pensa se vai conseguir dar conta, se vai saber fazer tudo da maneira correta. Mas tivemos todo o suporte necessário da Secretaria da Educação e fomos aprendendo junto com ela”, conta. Para avaliações externas e demandas pedagógicas específicas, as escolas contam com a parceria do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP), da rede estadual.

Educação inclusiva na prática

A secretária de Educação de Maringá, Adriana Palmieri, explica que cada aluno aprende de uma forma diferente e a escola precisa estar preparada para reconhecer essas diferenças. “Quando uma criança precisa de um recurso, de uma adaptação ou de uma estratégia diferente, nosso papel é garantir que ela tenha essas condições para aprender com autonomia e acompanhar a turma. É assim que entendemos a educação inclusiva: não esperar que o aluno se adapte sozinho à escola, mas fazer com que a escola esteja preparada para atender cada estudante”, afirma.

O trabalho de desenvolvimento de habilidades começa ainda nos primeiros anos escolares, com foco na leitura, escrita, organização de materiais e utilização dos próprios recursos. No cotidiano, a aprendizagem de Laura acontece também nas aulas de Artes, nas brincadeiras, no vôlei e nas conversas com os colegas. “Eu gosto de aprender. E quando aparece uma coisa diferente, eu tento descobrir como eu posso fazer. Eu não penso que não vou conseguir só porque não enxergo. Eu penso em como eu vou fazer”, diz Laura.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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