As filas na Ponte Internacional da Amizade não são um problema recente em Foz do Iguaçu. Uma reportagem publicada entre 18 e 25 de outubro de 1979 no jornal Hoje Foz já retratava motoristas enfrentando esperas de horas para atravessar a ponte que liga Foz a Ciudad del Este, no Paraguai.
Na época, o congestionamento se estendia da ponte até as proximidades do trevo de acesso à Vila A, em direção à BR-277, atingindo quase um quilômetro. Sob o sol forte, os condutores aguardavam para passar pelos procedimentos de fiscalização da Receita Federal e do Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil, conhecido como Cacex.
A reportagem acompanhou motoristas que passavam horas presos nas filas. Felipe João Radario estava a mais de 500 metros da ponte após duas horas de espera e afirmou que a situação era diária. José Luiz dos Campos, que fazia fretes entre Foz do Iguaçu e Puerto Presidente Stroessner (antigo nome de Ciudad del Este), relatou conseguir realizar no máximo duas viagens por dia por causa do tempo consumido nas filas.
O que travava o fluxo
A equipe do jornal acompanhou a fiscalização e registrou uma espera de 35 minutos para a vistoria de uma carga. Os motoristas entrevistados apontavam o número reduzido de funcionários como causa da lentidão, especialmente quando envolvia mercadorias variadas.
As reclamações iam além do tempo de espera. Condutores criticavam a organização do trânsito, a entrada de veículos na fila e o atendimento durante os procedimentos. Um entrevistado que trabalhava havia dez anos no transporte entre os dois países resumiu a situação com uma frase: “É sempre a mesma porcaria”.
Motoristas sugeriam soluções, entre elas separar o fluxo de veículos de passeio e caminhões. Representantes da fiscalização reconheceram a existência de problemas na operação.
Documento histórico preservado
A reportagem está disponível no Museu da Imprensa, acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu com acesso público e gratuito. O Museu reúne quase 20 mil páginas cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953, e é resultado de uma iniciativa da Associação Guatá com apoio da Itaipu Binacional.
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