Palmyra Longuini Menegazzo, fundadora da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Apucarana, completou 100 anos na terça-feira (20). A instituição que ela criou há seis décadas atende hoje cerca de 470 alunos nas áreas de educação, saúde e assistência social.
Mãe de quatro filhos, Palmyra enfrentou obstáculos para encontrar uma escola que aceitasse seus dois filhos com paralisia cerebral. Nenhuma instituição de Apucarana estava disposta a matriculá-los. A situação a levou a procurar alternativas em outras cidades, e uma viagem a São Paulo, onde conheceu o trabalho da Apae lá, foi decisiva para sua determinação.
De volta a Apucarana, ela reuniu outras famílias com dificuldades semelhantes e fundou uma escola especializada. A iniciativa começou no porão de uma loja maçônica, com oito crianças e professores voluntários, em 28 de março de 1966.
De um porão para referência de inclusão
A filha Maria José Menegazzo de Oliveira, de 76 anos, relembra o empenho da mãe. “Ela ajudou tantas pessoas. Eu fico orgulhosa de ser filha dela. Ela foi batalhadora mesmo. Foi incrível”, afirma. Segundo ela, Palmyra se preocupava com o bem-estar das pessoas ao seu redor e não mediu esforços para garantir atendimento aos filhos.
A neta Fernanda Beatriz Menegazzo de Oliveira, de 46 anos, destaca que a inclusão dos filhos foi o centro da vida da avó. “Ela simplesmente não se acomodou, não se vitimizou e foi atrás de trazer para Apucarana uma escola para eles”, observa. Fernanda aponta que a ação beneficiou centenas de crianças: “Ver o tanto de pessoas que a Apae de Apucarana atende hoje nos dá dimensão da importância que ela teve na mais profunda definição de inclusão”.
A diretora da Apae de Apucarana, Izabel Ortega, contextualiza o feito. Na época da fundação, praticamente não existiam recursos, metodologias de ensino ou políticas de inclusão voltadas às pessoas com deficiência. “Não existiam leis, não existia pesquisa sobre o que era uma pessoa com deficiência, não tinha metodologia, era uma situação bem difícil”, relata. Além da falta de estrutura, Palmyra enfrentou o preconceito que marcava o tratamento dispensado às pessoas com deficiência naquele período.
Atualmente, Palmyra vive em uma casa de repouso, onde recebe cuidados necessários devido às limitações de saúde decorrentes da idade avançada.
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