Londrina iniciou nesta quinta-feira (22) uma nova etapa de liberação dos Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia para combater dengue, zika e chikungunya. A expansão alcançará 47 bairros da cidade, aumentando a cobertura atual de 60% e incluindo também o município vizinho de Cambé.
Ao longo dos próximos seis meses, a tecnologia deve chegar a territórios onde vivem 151.715 pessoas em Londrina e 35 mil moradores em Cambé. Na primeira fase, que começou em 2025, a bactéria já se estabeleceu em 85% dos bairros atendidos.
Como funciona o método
Os Wolbitos não transmitem os vírus das arboviroses. Quando liberados no ambiente, reproduzem-se com os mosquitos locais e transmitem a bactéria para as gerações seguintes, reduzindo gradualmente a capacidade da população de mosquitos de propagar essas doenças. Estudos mostram que a bactéria permanece estável até oito anos após as primeiras liberações.
A Prefeitura de Londrina opera um núcleo de produção com capacidade de desenvolver mais de 1 milhão de mosquitos por semana. Os Wolbitos são liberados em rotas semanais controladas por agentes de campo treinados, totalizando 3.890 pontos de soltura. O monitoramento da eficácia é feito por ovitrampas que medem o estabelecimento da Wolbachia no campo.
Resultado e contexto da doença
Cidades que implementaram a tecnologia em 100% do território registraram redução significativa. Em Niterói, por exemplo, a queda nos casos de dengue chegou a 89%. A secretária municipal de Saúde de Londrina, Vivian Feijó, apontou que fatores climáticos como o El Niño aumentam a atenção necessária. “Londrina hoje tem praticamente 100% de monitoramento com nossas armadilhas. Isso faz com que a gente direcione o trabalho e realize ações educativas mais específicas para cada comunidade”, afirmou.
O método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses e complementa outras medidas de controle, sem substituí-las.
O que você precisa saber sobre o método
O Método Wolbachia utiliza mosquitos que carregam uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza. Essa bactéria impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo do mosquito. A liberação é precedida por engajamento comunitário, período em que a população local recebe informações transparentes sobre a tecnologia e seu funcionamento.
A soltura gradual acontece ao longo de 26 semanas, com liberações semanais controladas. Diferente de outras estratégias de controle que precisam de reaplicação constante, a Wolbachia se estabelece de forma autossustentável na população local, reduzindo a necessidade de intervenções repetidas.
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