Curitiba instituiu, nesta terça-feira (20/10), um sistema para rastrear os gastos públicos destinados ao combate às mudanças climáticas. O Orçamento Climático de Curitiba (OCC), estabelecido pelo decreto 1710/2026, identifica e classifica as ações orçamentárias que reduzem emissões de gases de efeito estufa, adaptam a cidade aos impactos do clima ou protegem a população contra riscos climáticos.
A ferramenta muda a forma como a prefeitura planeja: decisões sobre prioridades e investimentos municipais passam a considerar a agenda climática desde o início. A implantação ocorrerá em fases entre 2026 e 2030, período em que Curitiba também revisa seu Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas (PlanClima) e trabalha para cumprir as metas do Acordo de Paris.
Segundo a Prefeitura de Curitiba, o orçamento climático torna visíveis recursos já alocados para proteção de populações vulneráveis, prevenção de riscos e infraestrutura resiliente. Também permite à cidade apresentar projetos melhor estruturados a instituições de financiamento nacional e internacional, ampliando o acesso a recursos externos para ações climáticas.
Como funciona e o que muda
O decreto não cria novas despesas nem obrigações financeiras. Os gastos com a execução são cobertos pelas dotações orçamentárias próprias dos órgãos envolvidos. A ideia é organizar e dar transparência às ações que já integram o planejamento público, permitindo acompanhar o impacto social, ambiental e financeiro de cada projeto.
A iniciativa recebe apoio técnico do Programa Mutirão Brasil, desenvolvido pela rede C40 Cities e pelo Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia (GCoM). Curitiba integra a C40 Cities, organização de grandes cidades comprometidas com o clima, e seu prefeito, Eduardo Pimentel, foi eleito vice-presidente da rede para a América Latina em maio de 2026.
Secretarias e órgãos municipais trabalham de forma integrada para construir a estratégia, conectando políticas urbanas, proteção social, desenvolvimento de infraestrutura e prevenção de riscos. A revisão do PlanClima que ocorre em 2026 avalia avanços e realinhas ações necessárias para que Curitiba atinja a redução de 30% nas emissões até 2030, primeira meta intermediária do Acordo de Paris.
Por que um orçamento climático importa
Um orçamento climático rastreia quanto e onde um município gasta para enfrentar mudanças climáticas. A ferramenta aumenta a transparência, permite priorizar projetos conforme o impacto climático e facilita o acesso a financiamentos de organismos internacionais que exigem dados claros e governança definida. Cidades que conseguem comprovar investimentos estruturados em clima têm melhores condições de captar recursos para expandir essas ações.
A medida também reforça a proteção de comunidades mais expostas aos riscos climáticos, conectando a agenda ambiental a políticas de desenvolvimento urbano e segurança social. Em Curitiba, o orçamento climático orienta investimentos em redução de emissões, resiliência urbana e proteção da população contra eventos climáticos extremos.
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