A diferença entre um professor mediocre e um excelente educador não está apenas nas políticas públicas, mas na postura pessoal de quem escolhe ensinar. Quem tem verdadeira paixão pelo magistério e investe continuamente em sua própria formação demonstra estar comprometido com a qualidade.
Jacir J. Venturi, que atuou como professor e gestor escolar em universidades e escolas públicas e privadas ao longo de 52 anos, lecionando para mais de 90 mil alunos, ressalta que uma aula bem-preparada proporciona momentos genuínos de aprendizado. Ele é membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná.
Atualização constante como regra
O magistério é uma das profissões que mais rapidamente se desatualizam. Isso exige que o docente esteja em permanente renovação, acompanhando avanços da sua área, novas práticas educacionais e tecnologias. O bom educador, nessa visão, é um aprendiz contínuo.
No século 21, o desafio aumentou. Plataformas digitais, inteligência artificial e novas demandas socioemocionais transformaram o papel do professor. Ele deixa de ser apenas um expositor de conteúdos e passa a atuar como mediador, mentor e motivador. Pesquisas recentes apontam que a maioria dos docentes sente-se despreparada para essa mediação tecnológica, mas gostaria de receber capacitação institucional.
O exemplo de Singapura
Singapura transformou-se de um país com população majoritariamente analfabeta e pobre até a década de 1960 em referência global nas avaliações educacionais internacionais. A estratégia incluiu oferecer uma carreira no magistério com intensa qualificação profissional. Lá, os professores dedicam 100 horas ou mais por ano à capacitação, com foco em desenvolvimento de novas metodologias e tecnologias de ensino.
O lema adotado é direto: “Tratamos os professores como joias. Ser professor não é emprego, é uma profissão responsável por moldar as futuras gerações”. O país oferece aos mestres o prestígio que a profissão merece.
Responsabilidade compartilhada
A formação continuada é dever de ambos. À instituição de ensino cabe oferecer oportunidades de capacitação; ao professor, buscá-la com dedicação e afinco. Venturi aponta que mesmo diante da pouca valorização que recebem, muitos professores vocacionados encontram no entusiasmo e na paixão por ensinar a força para prosseguir.
A sala de aula representa o espaço mais nobre de qualquer organização educacional. Quem escolhe ocupá-lo tem o direito de exigir-se excelência, não mediocridade. Os ensinamentos de um mestre ecoam por gerações muito depois que ele deixa de ser o centro do processo de aprendizado.
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