Londrina enfrentou em setembro o maior volume de chuvas desde 1997. O acumulado de 255 milímetros superou em 150% a média histórica de 102 milímetros, impactando diretamente a execução de obras e serviços municipais em toda a cidade.
O fenômeno é atribuído ao El Niño, que aquece as águas do oceano Pacífico e intensifica frentes frias sobre a região. De agosto ao início de outubro, a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil registrou 368 atendimentos, crescimento de 525% comparado aos 70 atendimentos no mesmo período de 2025. Das ocorrências, 150 envolveram destelhamento por vento, 214 foram quedas de árvore, além de dois casos de dano por granizo, um deslizamento e um alagamento.
As obras de pavimentação e recuperação de estradas rurais enfrentam atrasos. Conforme a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, o trabalho de manutenção em estradas exige solo seco para retirada de cascalho e pedras. “Quando a equipe sai para trabalhar e a chuva volta, é preciso retomar depois”, explica o secretário. A Prefeitura segue monitorando as condições e acionará as equipes assim que o tempo se estabilizar.
O setor de obras públicas também sofre com a umidade. Asfalto novo não seca com chuva contínua, concreto não endurece adequadamente e as garantias de segurança para trabalho em altura ou em terrenos instáveis desaparecem. “Aberturas pequenas no asfalto crescem três, quatro, até cinco vezes em um dia quando expostas ao grande volume de água e ao tráfego intenso”, afirma o secretário municipal de Obras e Pavimentação. As equipes intensificaram a atuação nas ruas para conter o problema, mas o ritmo de danos supera a velocidade do reparo.
Entre as obras em andamento está o novo sistema de drenagem do Córrego Água Fresca, no Jardim Los Angeles, na zona oeste. Em breve começa a construção de um muro de gabião na Rodovia Carlos João Strass com a BR-369 para contenção de desmoronamentos e reparos nas galerias pluviais das ruas adjacentes.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização mantém limpeza, varrição e roçagem das ruas mesmo sob chuva, paralisando apenas em tempestades intensas. A coleta de lixo segue regularmente em qualquer condição climática. A Prefeitura recomenda que moradores coloquem lixo em sacolas fechadas e lixeiras apenas no dia da coleta, próximo ao horário de passagem dos caminhões, evitando que resíduos entupam bocas de lobo e bueiros. Segundo a administração, a maioria dos entupimentos é causada por lixo humano: pneus, embalagens plásticas, papel toalha e restos de obras.
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