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Curitiba lança novo modelo de concessão do transporte, investimento de R$ 3,9 bi inclui 250 ônibus elétricos

Curitiba coloca em licitação um novo modelo de concessão do transporte coletivo que promete modernizar a frota, integrar as linhas e expandir o uso de ônibus elétricos. A Prefeitura, por meio do BNDES, apresentou os detalhes do projeto em roadshow online no dia 24 de setembro, com mais de cem participantes do setor de operações de transporte e eletromobilidade.

A mudança mais visível para quem usa ônibus é a integração temporal irrestrita: o passageiro com cartão-transporte Urbs poderá trocar de ônibus em qualquer ponto sem precisar ir até terminal ou estação-tubo, desde que dentro do tempo pré-estabelecido e sem pagar nova passagem. Hoje, a integração exige deslocamento até pontos específicos.

Eletrificação e investimentos

O sistema receberá 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, com 90 veículos já no início da operação. Com essa concentração nas linhas de maior demanda, aproximadamente um terço dos lugares ofertados deverá ser atendido por ônibus elétricos até 2031. Os dois eletropostos públicos para recarga durante o dia serão construídos no Capão Raso e no Capão da Imbuia.

O investimento total estimado é de R$ 3,9 bilhões: 96,75% destinado à frota e 3,25% à infraestrutura de recarga e estações-tubo. A Prefeitura complementará com uma subvenção municipal de R$ 893,6 milhões, principalmente para aquisição de ônibus elétricos e construção dos eletropostos. O custo global anual de prestação dos serviços é estimado em R$ 1,25 bilhão (R$ 18,75 bilhões em 15 anos), incluindo custos operacionais, investimentos e remuneração das concessionárias.

Qualidade medida pela satisfação do passageiro

O novo modelo estabelece três pilares de indicadores de qualidade: a condição da frota, a operação e, como novidade, o índice de satisfação dos passageiros. Os usuários poderão se manifestar sobre a qualidade do serviço, e essa avaliação refletirá na remuneração das concessionárias.

A concessão será dividida em cinco lotes. Dois deles abrangem as linhas estruturais: o BRT1 (24 linhas, região Sul predominante) e o BRT2 (17 linhas, regiões Norte e Oeste). As vencedoras desses dois lotes também cuidarão da limpeza, conservação e manutenção das estações-tubo e plataformas elevadas dos terminais. Os outros três lotes terão caráter regional, com linhas alimentadoras e convencionais próximas aos bairros.

Controle e transparência

O edital inclui mecanismos para aumentar o controle, a transparência e a integridade: identificação da cadeia societária até beneficiários finais, controle sobre mudanças de sócios, programa de compliance, auditoria independente e acompanhamento permanente da governança financeira. A bilhetagem permanecerá sob responsabilidade do Poder Concedente, com arrecadação tarifária direcionada ao Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC), garantindo que a concessionária não tenha ingerência sobre essa fonte de recursos.

Cronograma da licitação

As propostas devem ser entregues no dia 17 de novembro entre 10h e 12h na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O leilão está marcado para 26 de novembro, às 10h, também na B3. O contrato terá duração de 15 anos.

O BNDES realiza reuniões individuais com interessados em participar da concessão. As solicitações de agenda podem ser feitas até 23 de outubro para o e-mail eletromobilidade_curitiba@bndes.gov.br, informando dia, horário de preferência e nomes de quem comparecerá.

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