A Praça Eufrásio Correia recebe um novo calçadão com petit-pavê, técnica portuguesa que virou símbolo de Curitiba. A instalação começou e vai usar 220 toneladas de pedras de basalto e calcário para cobrir 1.820 m² de calçadas.
O mosaico traz desenhos em preto e branco inspirados em motivos indígenas e paranistas, como o pinhão. As peças se distribuem na área em frente à antiga estação ferroviária, no trecho onde ficava a pista lenta da Avenida Sete de Setembro, entre as ruas Lourenço Pinto e Barão do Rio Branco.
Além do petit-pavê, o calçadão vai incluir calçada em concreto com acessibilidade e ciclofaixa em asfalto. A obra preserva o padrão das calçadas do entorno e respeita as características históricas da praça, tombada pelo Estado desde 1986.
O ofício do calceteiro
O trabalho é artesanal: cada pedra é escolhida, testada e encaixada com precisão. Gilberto Lopes, especialista em petit-pavê, aprendeu o ofício na infância em Ponta Grossa. Há mais de 30 anos trabalha em diferentes pontos de Curitiba, incluindo o entorno da mesma praça Eufrásio Correia e do Shopping Estação.
Edson Luiz Faria acumula mais de 50 anos na construção de calçadas de petit-pavê. Ele é responsável pelos desenhos da Rua XV de Novembro, Rua Barão do Rio Branco e Praça Carlos Gomes, sua preferida. Hoje ensina a técnica a outros calceteiros de Curitiba.
O processo exige concentração e prática. As pedras são assentadas seguindo moldes, depois socadas e rejuntadas com areia e cimento. Chuva atrapalha: o solo precisa estar seco para cada peça ficar no lugar correto. “Tem que cuidar para não martelar o dedo. Isso, para mim, é como uma terapia”, comenta Ilson Pereira, que aprendeu com Edson e trabalha na obra da Eufrásio Correia.
Execução complexa com várias frentes
A obra integra o Lote 2.3 do BRT Leste/Oeste e o programa PRO Curitiba, de requalificação municipal. Enquanto os calceteiros trabalham pedra por pedra, outras equipes executam pavimentação, drenagem, ciclovia, conclusão das novas estações-tubo, iluminação, paisagismo e sinalização.
O ritmo do petit-pavê é diferente do concreto: é artesanal e exige tempo. Segundo a engenheira Natália Logen, da Secretaria Municipal de Obras Públicas, o trabalho manual reflete diretamente no cronograma. “Quando todo o conjunto da obra estiver finalizado, o cidadão terá acessibilidade e espaços bem definidos para pedestres, ciclistas, usuários do transporte coletivo e motoristas”, afirma.
A requalificação inclui ainda reforma do trecho de calçadas da Rua Barão do Rio Branco entre as avenidas Sete de Setembro e Visconde de Guarapuava, com nova iluminação e paisagismo.
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