Cambé iniciou a liberação de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia em 21 bairros do município. Durante 26 semanas, serão soltos gradualmente insetos que não transmitem dengue, zika e chikungunya, auxiliando no combate a essas doenças.
Os mosquitos modificados se acasalam com os insetos locais e passam a bactéria para as gerações seguintes, criando uma população progressivamente incapaz de transmitir os vírus. A expectativa é proteger mais de 34 mil pessoas. Pesquisas apontam que em Niterói, onde a tecnologia cobre todo o território, houve redução de 89% nos casos de dengue.
As liberações acontecem em 885 pontos de soltura espalhados pelos bairros Silvino, Bandeirantes, Riviera I e II, Ana Elisa I e II, Montecatini, Novo Bandeirantes I, II e III, Caic II, Josiane I e II, Castelo Branco I e II, Santo Amaro I, II e III, Manela I, Jardim do Café e São Paulo I.
O núcleo de produção em Londrina prepara os mosquitos desde a fase de ovo até a idade adulta, recebendo cápsulas de ovos e ração de uma biofábrica. Os insetos são distribuídos semanalmente por veículos em rotas definidas.
Como funciona a tecnologia
A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em mais da metade dos insetos. Ao estar no mosquito, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam no organismo do inseto. O método é duradouro: estudos mostram que, mesmo após oito anos das primeiras liberações, a bactéria se mantém estável na população.
O Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. Já está presente em 16 cidades no Brasil, protegendo mais de 8 milhões de pessoas. A expansão inclui dezenas de municípios como Ribeirão Preto, Araraquara e São José do Rio Preto em São Paulo; Contagem em Minas Gerais; Foz do Iguaçu e Cascavel no Paraná; e cidades em Goiás, Pernambuco e Acre.
A população foi informada sobre a tecnologia antes da fase de liberação, por meio de panfletagem, redes sociais e orientações de agentes municipais capacitados. Agentes treinados e previamente capacitados realizam as solturas, que são controladas e monitoradas semanalmente. O monitoramento também ocorre por meio de ovitrampas, equipamentos que medem o estabelecimento da Wolbachia no campo.
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